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Opinião
05/01/2005 - 21h08
Horizontes escurecidos
Corsino Aliste Mezquita
 

Convictos que sempre fomos da necessidade de grandeza, generosidade, inteligência, sabedoria e trabalho para praticarmos educação de qualidade passamos, quatro anos, procurando educar as consciências de todo o quadro do magistério, de modo especial os especialistas (supervisores, coordenadores, Diretores e Vice Diretores) para a pluralidade cultural e para o respeito que todos devemos ter à diversidade existente num mundo globalizado, multifacetário, de idéias filosóficas, culturais, políticas, econômicas, religiosas e sociais diferentes e que vivem interligados e coabitando, em nosso município, por ser turístico e receptor de imigrantes de diversas partes do Brasil e do mundo.

Procuramos também abrir-lhes horizontes para o humanismo integral e solidário que é base imprescindível para todos que pretendem desenvolver um processo educativo cívico e democrático. Insistimos constantemente na necessidade urgente de nos libertar de egoísmos e personalismos para ultrapassarmos as limitações impostas por nossa geografia local e conseguirmos olhar o mundo com a universalidade que possui. Não poupamos esforços para fazer entender conceitos como: "diversidade cultural", "pluralidade", "respeito às diferenças", "isonomia de tratamento", "o lugar da religião em um estado laico", "responsabilidade", "afeto", "carinho" etc. O respeito às leis e à vontade manifestada pelas comunidades escolares foi imposto pela nossa consciência como imperativo a ser seguido e atendido contra qualquer força que o tentasse impedir.

Procuramos atender a todos, em todas as circunstâncias e suportamos com serenidade e firmeza aqueles que seguindo a famosa lei de "tirar vantagem de tudo" teimava em propor leis inconstitucionais para favorecer grupos e desestruturar e complicar a legislação que disciplina as ações das creches e das unidades escolares. Convictos de que a democracia só se desenvolve praticando democracia, a vivenciamos a todo momento e fornecemos elementos para que todos entendessem sua importância. Após essa sementeira laboriosa e continuada ficamos muito tristes com o desrespeito, arbitrariedades e injustiças praticadas pela administração da Secretaria Municipal de Educação sobre oito diretores que desenvolveram trabalhos eficientes, impecáveis na direção das escolas a eles encomendadas, durante três, quatro, cinco, seis e oito anos dependendo dos casos, e que seu desempenho foi confirmado pelas urnas tendo o dobro, três vezes, cinco vezes e até dez vezes mais votos que o segundo colocado, em eleição democrática, honesta, sem incidentes que puderam pôr em dúvida a sua validade. Conhecendo os preteridos e os conduzidos posso afirmar, sem quaisquer lugar a dúvida, que a qualidade técnica e ética da maior parte dos preteridos é superior à dos nomeados.

Esse desrespeito aos eleitores e as comunidades escolares terá conseqüências. A primeira delas, a perda da autoridade, da confiança e do respeito aos dirigentes da educação municipal. Ninguém poderá administrar a Secretaria Municipal de Educação ou quaisquer empresa, com paz, harmonia, equidade e autoridade iniciando o processo com desrespeito a uma grande e significativa parte de suas lideranças e perdendo a confiança e à autoridade frente a seus liderados. Não tendo firmeza para fazer respeitar a vontade das comunidades escolares, contra interesses pequenos e localizados, que acontecerá quando virem embates maiores? Neste momento só nos cabe lamentar as injustiças, solidarizarmos com os injustiçados e alertar o "Quadro do Magistério", (também os dirigentes que a ele pertencem), que os horizontes estão escurecidos e podem desabar como tempestades tropicais, furacões, tornados, vendavais ou tsunamis. Cuidem-se, por favor.


Nota do Editor: Corsino Aliste Mezquita, ex-secretário de Educação de Ubatuba.

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