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Saber que a reportagem como atividade não existiu ou foi irrelevante em 200 dos 400 anos da história da Imprensa; Entender que a reportagem é um gênero jornalístico privilegiado e se afirma na atualidade como o lugar por excelência da narração jornalística; Como diz o Zuenir: "Que os outros não me queiram mal, ou não me atirem pedras, mas se todos desaparecessem e só ficasse o repórter, o jornalismo continuaria vivo"; Se desculpar ao Vinícius, aos editores e redatores, junto com o Clóvis Rossi, mas não deixar de dizer que repórter é fundamental: Certamente a única função pela qual vale a pena ser jornalista; Lembrar que antigamente o bom profissional era aquele que saía para a rua com a caneta e um pedaço de papel e voltava trazendo uma notícia, uma história alegre ou triste que estivesse acontecendo naquele momento; Poder testemunhar a história de todos os tempos e de cada tempo em si; Algo paradoxal, pois é ao mesmo tempo a mais fácil e a mais difícil maneira de viver a vida; Muito mais transpiração do que inspiração; Gastar a vista lendo, lendo, lendo, de bulas de remédios aos clássicos, no intuito de descobrir tantos quantos forem os fatos relevantes, necessários a gerar boas pautas, ou informações mínimas que sirvam como ponto de partida para se buscar boas reportagens, geralmente calcadas em longas jornadas; Ter como referência na formação, os textos de bons repórteres: Capote, Talese, Mailer, Reed, Walsh, Defoe, Hemingway, Abramo, Biondi, Kotscho, Braga, Silveira, Euclides da Cunha, e não tantos outros; Entender que suas funções variam diante das situações históricas, econômicas, sociais e políticas; Segundo Nilson Laje: "Processar dados com autonomia, habilidade e reatividade, uma competência humana que pode ser aprimorada pela educação e pelo exercício"; Compreender que a reportagem é sempre uma ação transitiva e que como sujeito é preciso ao profissional manter contato imediato com todos os sentidos: o olhar, paladar, olfato, tato e a audição de quem não pode ver, gostar, cheirar, tocar e ouvir o acontecimento; Não ser "recórter", que segundo Licínio Neto é aquele sujeito pouco criativo que imita estilos de outros; Ter persistência, curiosidade, tenacidade e interesse pelo que faz - e uma baita aptidão para se envolver com pessoas de todos os níveis e fatos os mais diversos possíveis - de crimes hediondos aos buracos de ruas; Segundo Acácio Ramos: "aquele que pergunta"; Saber que perguntar não é uma tarefa fácil. E que se a pergunta não for bem formulada pode ofender; Fugir de perguntas cretinas como lembra Nello Marques: "Você está otimista?" (diante de qualquer disputa); "Qual a sua maior esperança?" (para a mão que procura um filho desaparecido); "O que mudou na sua vida?" (depois de ganhar algum prêmio ou de um grave acidente); Lidar com os mais variados tipos de entrevistados como lista Marques: o esgrima, o quiabo, o dedo leve, o sabonete etc.; Perceber que existem alguns tipos que precisam ser evitados: o "crica", o distraído, o empolado, o partidário, o sabe nada, o sabe tudo e por aí vai; Ser capaz de organizar dados num tempo reduzido e apresentá-los para que o maior número de pessoas possa entendê-los; Segundo Marcos Faerman: "Ter alma de repórter, alimentando-se do espírito de aventura, fascínio pela descoberta e pela história ainda não contada"; Posicionar-se contrariamente aos macaquinhos chineses: ver, ouvir e contar - com enorme competência; Segundo Audálio Dantas: "Ter uma certa dose de megalomania, na medida suficiente para acreditar na sua capacidade de mudar o mundo"; Assumir-se como a figura humana mais característica do Jornalismo; Segundo Clóvis Rossi: "Batalhar pela conquista das mentes e corações de seus alvos, leitores, telespectadores ou ouvintes para a causa da justiça social, ingrediente que jamais pode ser dissociado da democracia"; Deslocar-se de um universo testemunhal - denotação contemplativa - para um universo instrumental - denotação operacional, com intensa desenvoltura; Seguir os ensinamentos de Juarez Bahia: apurar e redigir com correção, veracidade, exatidão e credibilidade; Entender que uma boa reportagem é fruto de uma observação cuidadosa, como orienta Cláudio Abramo; Ter clareza de que o mais importante é a notícia, não o jornalista; Assumir que o rigor na apuração dos fatos é determinante para a qualidade de qualquer trabalho jornalístico; Trabalhar em equipe; Observar o conselho de Heródoto Barbeiro: "Ser criterioso com as matérias técnicas, pois o excesso de dados pode confundir o ouvinte ou telespectador que não vai ter chance de ouvir a reportagem novamente"; Não tratar com humor e humilhação o sofrimento das pessoas; Não julgar os entrevistados nem querer mudar comportamentos; Compreender que a fonte é imprescindível, mas a prática do "fontismo" deve ser descartada; Buscar a forma mais simples, mas não simplória, de levar a informação ao público; Batalhar sempre pela verdade, embora muitas vezes não se saiba o que ela é nem onde está; Balizar seus procedimentos diários pelo Código de Ética vigente; Participar, se organizar, reivindicar. Bradar sempre: Repórteres, Uni-vos!; Não deixar de ler as experiências contidas no livro "Repórteres", organizado por Audálio Dantas e publicado pela editora Senac; Não esquecer de comemorar o dia 16 de fevereiro, apesar de todos os pesares. De preferência, "tomando uns goles" ou "entornando uns copos" num pé-sujo mais próximo; Concordar com o Rossi em gênero, número e grau diante da resposta para a seguinte indagação: "Repórteres são ou não seres idiotas? São, mas às vezes conseguem até ser felizes na sua estranha maneira de viver a vida". Nota do Editor: Boanerges Lopes é jornalista. Doutor em Comunicação pela UFRJ e professor da UFAL.
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