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É curioso como em um país de minoria branca, insista-se na tal política de cotas para negros e índios nas universidades e ainda pretenda-se ampliar para as instituições particulares. Não serei radical e enquadrarei os índios entre as minorias, pois, de fato, o são. Mas afirmar-se que negros são minoria é uma tolice. Os negros sofreram sim, ao longo da história do país, enormes preconceitos graças à cultura escravocrata que perdurou em séculos passados, com o país dominado desde sua colonização por oligarquias de descendência européia. A Lei Áurea desinstitucionalizou a posse de escravos como ferramentas de trabalho por decreto, lançando-os à escravidão da miséria e exclusão social. Lançando-os à sarjeta como cães de rua. Ou seja, continuaram escravos, cuja descendência, numa vida miserável sem políticas sociais adequadas, produziu o que vemos hoje: a maioria dos moradores das favelas, bem como os presidiários que lotam as pocilgas brasileiras chamadas de cárceres é também composta por não-brancos. Quando uso o termo "não-branco", quero dizer que é impossível dividir nosso povo em raças. Quem é branco e quem é negro afinal? Uma conclusão que podemos tirar do magnífico trabalho do falecido Darcy Ribeiro em O Povo Brasileiro, é que, na verdade, não temos pedigree. Somos uma nação de vira-latas. Sou eu quem digo isso, não o Darcy. Isso mesmo. Não temos raça definida. Branco a meu ver é o sujeito de pele extremamente clara, olhos claros e cabelos louros, padrão nórdico. Negro é aquele de pele extremamente escura, cabelos encarapinhados e dentes alvíssimos, padrão africano. Esses cidadãos sim, podem afirmar-se em uma determinada raça. Mas nós, a maioria do povão, somos todos vira-latas. Eu, a maioria de vocês que agora me lêem, quase todas as nossas celebridades e políticos... Até mesmo o nosso presidente é um vira-lata - sem trocadilhos, claro! Por outro lado, afirma-se que o racismo perdura ainda hoje no Brasil. Concordo. O racismo perdura de todos os lados, tanto entre os que se afirmam negros, como entre os que se afirmam brancos. Salvo as exceções, vários movimentos de "conscientização" negra praticam um racismo às avessas. O próprio termo negro é quase um tabu, algo politicamente incorreto. Por que quando se quer indicar algum negro as pessoas dizem "aquele moreninho"? Tudo isso me parece uma enorme asneira coletiva. Somos mesmo um bando de hipócritas. De acordo com o senso do IBGE de 2000, apenas 6,21% da população se declarou negra. Se se somar a esse número os pardos, o percentual sobe para 45%. Curioso, como na hora de pleitear uma vaga na universidade aparecem mais negros do que o senso indica. Ou seja, gente que se considerou branca ou parda para o censo, tornou-se negra para lançar mão do artifício da política de cotas. Mais hipocrisia, apesar de bem intencionada. O velho jeitinho brasileiro. O que é ainda mais estúpido é essa tentativa de autopurgação populista e demagógica do governo em usar esse mecanismo como instrumento de inclusão social. Não. Isso não é instrumento de inclusão social. Isso é uma nova institucionalização do racismo. Isso é segregação racial nas universidades. O acesso às universidades brasileiras é por mérito, sob exame vestibular. Se a maioria dos alunos que conseguem ingressar e ocupar as vagas nas universidades públicas é composta por brancos e vira-latas mais claros, é porque ainda sofremos o efeito do descaso do Estado para com a educação. Quase todos os peles-escuras, bem como um sem número de caras-pálidas, vivem hoje sem acesso à educação elementar de qualidade que deveria ser oferecida pelo Estado, daí não obterem o "mérito" necessário ao ingresso nas universidades públicas. Enquanto isso, os governos preferem embelezar a árvore bichada do sistema educacional simplesmente podando-a, e não adubando as raízes para que se produzam árvores mais fortes - perdão pelo recurso da metáfora, mas já que está na moda... Como sou um genuíno vira-lata brasileiro, exijo um tratamento igual para todos. Exijo educação de boa qualidade para os nossos filhos. Não quero ver nossas crianças sendo avaliadas pela cor da pele para conseguir uma vaga na universidade. E tenho dito! Auf, auf, auf!!!
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