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Crônicas
09/01/2005 - 17h24
O fim do requeijão
Christian Rocha
 

Se você é um consumidor atento, já deve ter percebido. Mas se você é como a maioria, que ao manusear uma embalagem só presta atenção na etiqueta com o preço, não percebeu que o requeijão acabou. Não existe mais mesmo. O que há hoje nas prateleiras dos mercados é a especialidade láctea com requeijão. Requeijão mesmo, só misturado. Se quiser requeijão puro, faça em casa. O produto novo - identificado com letras miúdas e em embalagens baratas pomposamente apresentadas como super prática, inquebrável e nova - chegou aos mercados de mansinho, sem ninguém perceber. A especialidade láctea não escorre pela faca, mas como a consistência e o sabor são semelhantes aos do antigo requeijão, ninguém se importa em consumir um falso requeijão, uma mistura de creme de leite, manteiga, maisena e outras substâncias menos lácteas. As indústrias comemoram, porque a produção da especialidade láctea custa menos e pode ser vendida pelo mesmo preço do requeijão, já que ninguém se importa com a diferença. Ou não percebe.

Fenômeno similar tem acontecido com diversos produtos. As barras de chocolate e os pacotes de bolachas, que antes seguiam o padrão de 200g, não têm mais do que 180g, às vezes chegando ao ridículo patamar de 150g. E o chocolate na verdade é um composto achocolatado, com aroma e sabor artificiais, embora sejamos um dos maiores produtores mundiais de cacau (muitos chocolates europeus são fabricados com cacau brasileiro). Os rolos de papel higiênico antigamente eram vendidos em rolos de 40 metros; hoje, inexplicavelmente esse padrão foi mudado para 30 metros. Embalagens de batatas fritas e outros salgadinhos crescem em tamanho e diminuem em conteúdo. Evidentemente, todas essas modificações reduzem os custos de produção e não são acompanhadas de redução nos preços ao consumidor.

Muitos produtos têm sido modificados nas embalagens ou nos conteúdos sem uma explicação razoável. A explicação é uma só: faturar mais. O fenômeno não é recente. A maquiagem de produtos nasceu quando as empresas perceberam que a inflação era coisa do passado e não havia, a partir daí, como alterar preços sem se tornar o vilão da instabilidade econômica. Se não há como alterar preços, que se alterem os produtos - eis a lógica adotada pelas empresas.

O fato da maquiagem acontecer com mais freqüência em produtos supérfluos não a torna menos grave, apenas demonstra a medida da nossa credulidade. O consumo impensado, automático, que só se atém ao preço das coisas, nos dispensa de avaliar qualidades e quantidades. Não surpreende, portanto, que nos tornemos suscetíveis a esse tipo de ardil.

Como simples consumidor, não me resta outra opção senão deixar de consumir produtos desse tipo. E despertar para outros produtos, melhores, mais confiáveis e mais baratos, aqueles que se encontram em feiras livres: frutas, legumes e verduras. Dispensam embalagens coloridas e foram consagrados muito antes do surgimento da primeira indústria de alimentos.


Nota do Editor: Christian Rocha vive em Ilhabela, é arquiteto por formação, aikidoka por paixão e escritor por vocação. Seu "saite" é o Christian Rocha.
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