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Opinião
11/01/2005 - 10h19
O Partido dos Traidores
Marcelo Moura Coelho - MSM
 

Em fevereiro deste ano o PT completa vinte e cinco anos de existência. Certamente o partido fará uma grande festa e o presidente Lula provavelmente terá mais um ataque de megalomania e se comparará a Deus, ou falará que seu governo é o melhor de toda a história do país, quem sabe até do mundo. Mas quem examinar a história do partido verá que os petistas podem até ter motivos para comemorar, mas o resto do país não tem.

Se existe uma constante na história do PT, é a traição. Em seu início o sectarismo era tão grande que o partido proibiu seus deputados de votarem no Colégio Eleitoral de 1985 que elegeu o novo presidente. A atriz e então deputada Bete Mendes foi expulsa da legenda por ter ousado votar em Tancredo Neves. Em 1988 os congressistas petistas se recusaram a assinar a Constituição que a Assembléia Constituinte tinha acabado de publicar, por considerá-la burguesa demais. Gradativamente o partido foi deixando o sectarismo de lado e hoje se alia a tipos como José Sarney e Antônio Carlos Magalhães com a consciência tranqüila.

Ironicamente, o mesmo partido que se recusou a subscrever a Constituição de 1988, foi o que mais se opôs às reformas constitucionais feitas nos governos de Itamar Franco e de Fernando Henrique. Isso tudo num espaço de cinco anos. Qualquer tentativa de mexer no texto da Constituição foi sistematicamente boicotada pelo PT, que usou e abusou de todos os meios possíveis para obstruir a aprovação das reformas, já que raramente conseguia impedi-las numa votação.

Na área econômica o mesmo se deu. Durante a maior parte de sua existência o PT foi a favor de medidas heterodoxas: Nacionalização do sistema financeiro, calote na dívida externa, rompimento com o FMI e a manutenção dos monopólios que existiam ou a volta deles, entre outras coisas, apenas para ficar em alguns exemplos. Em 2002, por causa da candidatura de Lula, a legenda lançou a "Carta ao Povo Brasileiro", quando renegou o passado heterodoxo e afirmou o respeito a todos os contratos. Tudo isso de uma hora para outra, sem ao menos um congresso partidário onde a legenda pudesse rever suas posições.

Existem ainda as pequenas traições do dia-a-dia que também são comuns ao PT. Quem conhece o partido sabe que desde que ganhou a primeira prefeitura, passando pelos governos estaduais e chegando à presidência da república, a legenda tem uma farta história em descumprir acordos políticos. Promessas de cargos são esquecidas depois que o partido conseguiu o seu objetivo; pedidos de CPIs são aprovados mesmo depois de o partido se comprometer a deixá-los de lado e apoios cruciais, recebidos nos segundos turnos das eleições, são facilmente esquecidos depois de ganha a disputa.

A tendência do PT em trair foi comprovada mais uma vez nesse início de ano. Os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo que tomaram posse no sábado elegeram seu novo presidente. Um acordo entre PSDB e PT garantia que os integrantes do segundo partido votariam no indicado pelo primeiro. Em troca, os deputados federais tucanos deveriam votar no candidato petista à presidência da Câmara dos Deputados. O acordo, apesar de simples, foi descumprido. Os petistas se aliaram a um dissidente tucano, o vereador Roberto Trípoli, e junto com outros partidos o elegeram novo presidente da Câmara de Vereadores.

O pior dessa traição é que a cúpula nacional do PT reprovou publicamente o ato dos petistas paulistanos e querem que o PSDB cumpra a sua parte no acordo, mesmo que o próprio PT não tenha cumprido a deles! Essa é uma das armas mais maquiavélicas do PT: usar e abusar de suas supostas brigas internas. A mão direita do partido bate, enquanto a esquerda afaga e diz não concordar com o que a outra fez. Como se uma manobra com grandes repercussões políticas como essa pudesse ser feita sem o aval de Marta Suplicy e, provavelmente, de José Dirceu.

Apesar de o ano estar ainda em seu início, essa não foi a única traição petista. Marta Suplicy havia se comprometido a não deixar o caixa da prefeitura paulistana vazio. Em troca a equipe de José Serra não reclamaria publicamente do estado das contas públicas. Serra assumiu a prefeitura e encontrou apenas R$ 16 mil reais em caixa. Como havia uma parcela da dívida paulistana a ser paga para o Banco do Brasil, este seqüestrou a conta da cidade. Frente a essa situação calamitosa, Serra iniciou uma negociação com o banco. Este já impôs uma condição: o silêncio dos tucanos. Quando será que esse acordo será descumprido?

Entretanto, todo esse histórico de traição não é sem sentido ou sem explicação. Na verdade tudo isso esconde a única coisa ao qual o PT é fiel: ele mesmo. Tudo isso poderia parecer incoerente se o partido não fosse um fiel seguidor do comunista italiano Antonio Gramsci, que apregoava que o partido deve ser o novo príncipe de Maquiavel. Ou seja, os fins justificam os meios.

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