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Opinião
16/01/2005 - 17h24
A economia dos EUA na era Bush
João Luiz Mauad - MSM
 

Uma das teorias mais em voga na mídia tupiniquim, defendida com desenvoltura por jornalistas "especializados", pseudo-economistas, cientistas políticos "engajados", sociólogos "parnasianos" e demais "experts" de plantão é a que preconiza a derrocada iminente do império americano em razão da sua desmesurada e insustentável dívida pública, produzida, em grande medida, por esse monstro apocalíptico que responde pelo nome de George W. Bush.

Como não costumo dar ouvidos a sofistas nem a palpiteiros, fui pesquisar o assunto numa instituição acima de qualquer suspeita, mais precisamente em Harvard. O dados abaixo foram retirados de um trabalho do professor Arman Verjee, catedrático em Economia daquela universidade e as conclusões não poderiam ser mais elucidativas.

Antes de mais nada, é preciso enfatizar o fato de que, desde a posse do presidente Bush, a economia americana já passou por, no mínimo, três grandes choques, cuja responsabilidade não pode, de nenhuma maneira, ser atribuída a ele: (1) a depressão causada pelo "estouro" da amosa "bolha da Internet"; (2) um ataque terrorista de proporções inauditas, cuja conseqüência mais terrível em termos econômicos foi ter afetado sobremaneira a confiança dos consumidores; e (3) uma série de escândalos contábeis que abalaram algumas das maiores corporações americanas.

No entanto, desde 2001 a taxa de crescimento dos EUA foi superior a de todos os outros países ditos desenvolvidos (G7). Atualmente, o índice de desemprego está em 5.4 por cento, onde estava, por sinal, em 1996, ano da re-eleição de Bill Clinton. Estes notáveis resultados foram alcançados, é sempre bom repetir, malgrado a infinidade de efeitos nocivos produzidos pelas crises acima mencionadas.

Feito este pequeno e necessário intróito, passemos à análise do déficit público e o conseqüente débito federal, sobre os quais os críticos da administração republicana fincam os seus prognósticos de um cataclismo econômico iminente.

Comecemos pela dívida pública. Seu valor líquido (descontada a parcela pertencente ao próprio governo federal) era de 33% do PIB no final do exercício de 2001 (o mais baixo em 18 anos). Ao fim de 2003, este percentual cresceu para de 36% do PIB. A comissão de orçamento do congresso estima que ele chegue aos 40% em 2005, antes que comece a baixar novamente.

Pelos padrões internacionais esses níveis são bastante modestos. As dívidas de duas das maiores economias da Europa - França e Alemanha - por exemplo, alcançam mais de 60% do PIB, na Itália chega próximo de 110%, enquanto no Japão este número é quase 150%. Só para se ter uma idéia de quão falaciosas são as análises alarmistas dos "especialistas" a respeito desse assunto, desde 1939 houve um total de 24 exercícios financeiros em que a dívida líquida federal fechou abaixo dos 36% do PIB verificados atualmente, enquanto nos demais 41 períodos orçamentários ela esteve acima deste patamar.

É importante frisar que a nação norte-americana encontra-se presentemente em tempo de guerra, ocasião em que o déficit e, conseqüentemente, a dívida, costumam atingir níveis muito além do normal. Só para que se tenha uma pequena idéia do peso que as guerras representam na economia do Tio Sam, o débito total do setor público durante a II Guerra Mundial, guardadas as devidas proporções, alcançou valores quase três vezes superiores aos atuais.

Deixando de lado o aspecto político desta guerra contra o terrorismo, creio não haver dúvida, até mesmo para o mais radical dos democratas, que os gastos no Iraque e no Afeganistão, malgrado a sua natureza sazonal, são extremamente elevados. Apesar disso, o incremento do déficit em relação ao PIB não tem sido exagerado, como vimos anteriormente, o que se deve ao esforço diuturno do governo Bush na redução dos gastos governamentais domésticos, caminho escolhido pelos republicanos para gerenciar a dívida pública (ao contrário de Clinton, que optou pelo aumento de impostos).

Em termos de crescimento econômico, que no fim das contas é o que importa, as séries históricas mostram que o incremento médio do PIB foi de 4,4% nos períodos de dívida elevada, contra 3,14% nos de baixa. Em alguma medida, estas taxas médias poderiam estar vinculadas aos anos em que o país esteve em guerra, durante os quais o estoque de dívida subia rapidamente e o crescimento econômico era razoavelmente robusto. Entretanto, ainda que adotemos um horizonte temporal mais restrito, a história segue sendo a mesma.

De fato, se observarmos somente os anos a partir de 1963, quando o endividamento baixou aos níveis atuais pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, veremos que ele se reduziu abaixo dos 24% do PIB em 1974, subiu a 50% em 1993 e voltou a baixar a 33% em 2001. O crescimento econômico durante este período também foi mais forte nos anos de dívida relativamente alta, alcançando uma média de 3,47%, do que nos anos de dívida relativamente baixa, quando ficou na média histórica de 2,59%.

Portanto, olhando sem paixões para a história econômica dos EUA, fica claro que a prosperidade pode sustentar-se ainda que o governo federal mantenha um endividamento muito acima dos níveis atuais, nada justificando a fúria daqueles que pregam o fim do mundo ou utilizam-se de "magia contábil" para engambelar os incautos. Felizmente (para eles), a opinião pública de lá encontra-se bastante madura para deixar-se enganar com facilidade pelos oportunistas, como ficou demonstrado na última eleição.

Outra lição bastante interessante vem da demonstração inequívoca de que os grandes déficits orçamentários nunca foram causa, nem tampouco estiveram correlacionados com baixo crescimento econômico, como costumam propagar os paranóicos de plantão. Senão vejamos: nos finais das décadas de 40 e 50, por exemplo, os governos Truman e Eisenhower, respectivamente, praticaram a chamada "restrição fiscal", mantendo em patamares altíssimos os impostos a fim de resgatar a dívida pública. Os resultados foram nada menos que quatro recessões entre 1948 e 1961.

Por outro lado, durante os anos 60, o governo federal trabalhou com déficits modestos, enquanto cortava os impostos. Já nos anos 80 o déficit foi bem maior, por conta de reduções fortes de impostos na era Reagan. Em ambos os casos ocorreu um intenso crescimento econômico da nação. O aspecto mais ilustrativo e interessante dessas duas fases, entretanto, foi que as taxas de juros baixaram ligeiramente nos anos sessenta, enquanto que na década de oitenta elas baixaram drasticamente, o que vem a ser exatamente o contrário do que prognosticam os sofistas do déficit.

Resumo da ópera: a prosperidade econômica dos ianques tende a perdurar ainda que o governo não equilibre o orçamento a curto prazo, pois as maiores ameaças a ela, que são os altos impostos, as barreiras regulatórias e o intervencionismo estatal nos mercados, estão sendo forte e eficientemente combatidas pela administração Bush. A má notícia para os antiamericanistas é que o "império", pelo menos por enquanto, não dá mostras de fraqueza.

Para finalizar e antes que me acusem de estar defendendo, indiscriminadamente, políticas fiscais fincadas em déficits orçamentários, a exemplo de alguns próceres do "desenvolvimentismo" tupiniquim, é preciso chamar a atenção para o fato de que os dados acima mencionados e analisados referem-se a uma economia madura, calcada em instituições fortes, geradora de um PIB aproximado de 11.5 trilhões de dólares, sem qualquer experiência de hiper-inflação e, acima de tudo, portadora de credibilidade inconteste, haja vista que seus governantes, atuais e passados, jamais sequer aventaram a hipótese de calotes, re-negociações, auditorias da dívida ou outras aventuras "heterodoxas" tão populares por aqui.


Nota do Editor: João Luiz Mauad é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.

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