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Não tenho ficado satisfeito com nenhuma administração municipal. Nem aquelas das quais participei. Crítico de mim mesmo sempre gostaria ser melhor, produzir mais e que aqueles que trabalharam comigo fossem mais eficientes. Entretanto como analista político das realizações, êxitos e falhas, tenho experimentado diferenças nos diversos administradores. Nas minhas reflexões constantes sobre Educação e seus fatos tive a idéia de passar para o papel algumas considerações sobre as três últimas administrações municipais. Participei das duas primeiras como professor municipal e observador atendo desde a atalaia da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Ubatuba e, da última, como executor das políticas educacionais. Nas três como testemunha ocular dos fatos e agente ativo dos acontecimentos. São observações visando não esquecer o que foi feito em cada período e como foi aplicado o dinheiro da educação. Na administração 1993-1996 as escolas estiveram abastecidas, nada faltava, os professores eram tratados com dignidade e respeito, foi dado grande atenção a Educação Infantil que era, naquele momento, a maior responsabilidade da Prefeitura Municipal. Nesse contexto foram construídas as UNIMEIS do Perequê-Açú, Itaguá, Perequê-Mirim, as creches da Pedreira e do Ipiranguinha. Para atender o Ensino Fundamental foi construída a Escola do Puruba, deixada coberta a do Rio Escuro e levantada até a segunda laje a E. M. Pres. Tancredo de Almeida Neves. Houve cursos para professores e funcionários, troca de experiências com outros municípios e países, criada a Semana da Educação, só uma pessoa esteve a frente da Secretaria os quatro anos e os investimentos na Educação foram significativos e justificaram os 25% (vinte e cinco por cento) da verba a ser aplicada. Foram quatro anos de vacas gordas. Mesmo assim os administradores da época foram qualificados como ladrões, incompetentes, despreocupados com a Educação etc., principalmente por seus sucessores. Na administração 1997-2000 as Escolas foram deixadas a seu destino, não tinham material de limpeza, pedagógico, de manutenção, não receberam reformas, os salários eram parcelados em duas ou três vezes, as vantagens da lei não eram atribuídas, a merenda era ruim e, no final, teve a mal sucedida experiência da terceirização, no período houve quatro secretários de Educação, o caos existente não cabe neste relato sucinto. No final do período ficaram 1200 (hum mil e duzentos) alunos sem teto, os salários de dezembro, terço de férias de todo o quadro do magistério, 13º salário e R$ 1.730.000,00 (hum milhão e setecentos e trinta mil reais) de dívida para pagamento imediato na Secretaria Municipal de Educação. Nada que justificasse os 25% (vinte e cinco por cento) foi apresentado. Foram quatro anos de vacas magras. Mesmo assim ninguém se perguntou onde foram parar os 25% da verba da educação ou o que foi feito com eles. As urnas os puniram violentamente. Na Administração 2001-2004 novamente as escolas estiveram abastecidas, nada faltou, a merenda foi de ótima qualidade, os salários pagos integralmente toda primeira sexta-feira de cada mês, vinte e um prédios escolares foram ampliados e reformados, nove escolas novas construídas, duas deixadas semi-acabadas, cinco escolas tiveram quadras cobertas, todos os professores e funcionários da Educação treinados em serviço, criado o Sistema Municipal de Educação e o Plano Decenal Municipal de Educação. Nenhuma dívida foi deixada, os 25% aplicados e plenamente justificados, a Rede Municipal de Ensino duplicou etc. Foram quatro anos de vacas gordas. Novamente os administradores são qualificados como ladrões e promete-se limpeza, devassa, trocar tudo e todos. Neste momento de mudança alguns cidadãos nos perguntam: Qual será o ciclo que nos espera? Teremos mais um ciclo de vacas magras alternando com o de gordas?
Torcemos para que as amostras até agora apresentadas não sejam significativas do que nos espera. Nota do Editor: Corsino Aliste Mezquita, ex-secretário de Educação de Ubatuba.
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