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Escândalos e política são parceiros de longa data. Não passam semanas sem que algum caso venha desmoronar reputações e elevar a venda de jornais e revistas. Mudam os protagonistas, a trama, os interesses, mas a imoralidade permanece a mesma. Aqueles que aceitam o significado de costume como comportamento esperado não deveriam mais fingir novidade. O fato dos escândalos passarem a envolver o ex-campeão de denúncias também não merece reação pública de surpresa. Toda a história do PT foi construída inescrupulosamente. O grande mérito petista foi ter camuflado ou distorcido suas ações com eficiência, para assim conservar sua auréola de altruísmo. Só com muita maquiagem consegue-se impedir que ligações suspeitas ou explícitas com ditaduras, narcotráfico, espionagem, assassinato e guerrilhas não deixem nem uma manchinha na reputação de um partido. Se hoje o PT não consegue respirar antes que outra onda o atropele, não é porque a santidade sucumbiu ao pecado, mas porque a atenção popular percebeu que o rei está nu. A mesma delicadeza não teve o PTB, que sempre se deixou lambuzar na própria malícia. Os interesses pessoais de diversos políticos e principalmente de Roberto Jefferson guiaram os rumos do partido. Esconder as evidências não parece ser preocupação maior de um deputado que encaixa inadvertidamente vários funcionários em funções públicas de baixo escalão. Mas, como disse anteriormente, não há razões para admirarmo-nos quando partidos políticos desobedecem a princípios morais. O prejuízo de muitos para a vantagem de poucos não é acontecimento contingente nas atitudes partidárias. Desde que os partidos firmaram-se como "grupos de pressão", favorecer os interesses de uma classe, comunidade ou associação em detrimento dos demais passou a ser norma de conduta. Toda a sustentação dos preceitos da democracia representativa prevê partidos de ideologias diversas. Cada qual significando uma opinião distinta sobre o que seria melhor para a nação inteira. Mas sem jamais esquecer que uma posição só poder ser defendida quando seu benefício for generalizado, não visando favorecer alguma parcela da sociedade. Digo sem risco de errar que não existe partido do cenário político brasileiro cabível no modelo acima. Não importa qual seja o partido, seu objetivo reduz-se a um grupo, específico ou não. No caso dos partidos assumidamente de esquerda, privilegiados e injuriados especificam-se conforme a "luta de classes" marxistas: privilegia-se o proletariado, ataca-se a burguesia. Os auxiliados pelo restante dos partidos permanecem difusos, variando conforme a região e a oportunidade. Desde o eleitor comprado por uma cesta básica, uma rua pavimentada, até empresários lobistas e categorias profissionais esperançosas por um aumento. Qualquer que seja a parte privilegiada haverá perdedores à margem. Infere-se esta afirmativa do simples conceito de privilégio. Um partido que concorda em funcionar como "grupo de pressão" concebe o prejuízo de alguns como instrumento para a satisfação de outros. Esta é a suposta ética de possivelmente qualquer partido na atualidade. Da mesma forma que se admitiria necessária à busca dos meios apropriados para que o governo beneficie os indivíduos que compõe a sociedade, legitima-se a utilização de meios imorais para que um partido cative seu eleitorado. A indecência está no próprio ofício, apenas adapta-se ao evento. Vale lembrar a máxima de Lord Acton: "o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente". Acertar indicações para cargos públicos, receber dinheiro ilícito para campanha, comprar votos do legislativo ou do cidadão comum, construir uma praça, inflacionar, reajustar o salário, tributar importações. São todas formas de conseguir injustamente vantagens para determinados grupos. Sempre haverá perdedores e, como se trata do Estado, sempre haverá coerção; quanto mais, pior. Nota do Editor: Diogo Costa é articulista do blog Oito Colunas.
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