20/03/2026  07h49
· Guia 2026     · O Guaruçá     · Cartões-postais     · Webmail     · Ubatuba            · · ·
O Guaruçá - Informação e Cultura
O GUARUÇÁ Índice d'O Guaruçá Colunistas SEÇÕES SERVIÇOS Biorritmo Busca n'O Guaruçá Expediente Home d'O Guaruçá
Acesso ao Sistema
Login
Senha

« Cadastro Gratuito »
SEÇÃO
Opinião
20/01/2005 - 16h34
Desmoralizada ONU
Ipojuca Pontes - MSM
 
"A ONU é uma gigantesca máquina burocrática operada por pigmeus". - Roberto Campos

Uma boa notícia para o mundo real: a ONU, ou pelo menos a atual versão da ONU - Organização das Nações Unidas - pode estar chegando ao fim, tal qual o seu modelo predecessor no final dos anos 30, a também desmoralizada Liga das Nações. Dois fatos reforçam o prognóstico: 1) Baseado em livro-denúncia de ex-diplomata "da casa", produtores de Hollywood iniciaram um seriado para televisão tendo como fundo os bastidores da organização e sua promíscua vida sexual, pontilhada por casos de adultério, homossexualidade, lesbianismo e bacanais, e 2) Um americano típico, Howard Kaloogian, saturado de pagar impostos para sustentar o colossal elefante branco, está recolhendo 1 milhão de assinaturas para tirar a sede da ONU dos Estados Unidos, mais precisamente da Praça das Nações Unidas, em New York.

O indignado Sr Kaloogian, criador da afluente associação Move America Forward (Conduza a América para adiante), já recolheu mais de 250 mil adesões. Espera chegar ao número pretendido em pouco tempo e, com um intróito de repúdio, entregar o abaixo-assinado ao Congresso americano, cuja maioria - hoje composta por republicanos - não tem um só motivo para tolerar a tendenciosa ONU. Se a proposta for aprovada, a organização vai para o espaço.

"Eles não gostam de nós" - disse o cidadão americano - "então nós não os queremos em nossa casa. Que se mudem para a Europa ou o Sudão, onde há um genocídio, e eles não fizeram nada para impedir. Ouvi dizer que o Brasil é bonito. Por que a ONU não se muda para lá?"

Bem que o Itamaraty (com sua idéia fixa de integrar o Conselho de Segurança da matrona) gostaria. Mas o Brasil não tem fortuna para manter semelhante preciosidade: a ONU, com o seu espantoso e muitas vezes inútil aparato burocrático, custa uma enormidade, algo em torno de US$ 3 bilhões anuais, 23% dos quais financiados até recentemente pelos EUA. Com essa grana toda, admite-se, parte significativa dos urgentes problemas provocados na Ásia pelas tsunamis poderiam ser enfrentados. Mas as cotas que alimentam o caixa da entrópica organização são em boa parte consumidas com o pagamento de benefícios e salários de burocratas empedernidos que olham o mundo, dentro dos seus custosos casacos, de cima para baixo.

Como se sabe, o centro da burocracia diplomática internacional foi criado em 1945 (completa 60 anos em junho próximo) e instalado nos EUA, no crepúsculo da II Guerra Mundial, com a aprovação de uma Carta assinada por cerca de 50 países. Seus objetivos, em nada desprezíveis, eram os de manter a paz e a segurança entre os povos, controlar a proliferação de armas nucleares, resolver querelas entre nações, fomentar a cooperação e o respeito aos direitos humanos - para não falar no empenho de enfrentar, em âmbito universal, as tarefas de combate ao analfabetismo, fome e doenças em geral.

De lá para cá, no entanto, os objetivos estratégicos da organização tornaram-se imperiosos (e imperiais) e seus mentores, sedimentados no mais puro anti-americanismo, se empenham em torná-la o centro de um governo mundial, a partir da (in)formalização de estranha comandita entre as principais nações da Europa e os manipuláveis paises do Terceiro Mundo. De fato, por força do predomínio de idéias coletivistas e manobras astuciosas, a ONU vem, nos últimos tempos, impondo preconcebida agenda de temas globais "politicamente corretos" e de notório anti-capitalismo, a mobilizar dispendiosas ONGs que procuram fazer (artificialmente) a cabeça da opinião pública mundial, em especial a dos países tidos como subdesenvolvidos.

Com efeito, ao lado do incompreensível silêncio diante da ação de tiranos brutais e da mobilização de organizações e paises terroristas, a ONU parece inverter as prioridades na busca da paz e da segurança para se envolver ativamente na consecução de compromissos heterodoxos como, por exemplo, as questões que dizem respeito às problemáticas do relacionamento gay, descriminalização das drogas, legislação ambiental radical etc. que a torna, no cenário atual, avalista e gestora do caos que se abate em escala crescente sobre a face da terra.

Mas a indisposição da Move America Forward não cresce apenas pelo indisfarçável anti-americanismo que tomou conta da ONU, pois o seu criador se diz plenamente favorável à existência da entidade (fora dos EUA). O que torna a organização alvo da indignação das consciências ativistas é a onda de escândalos financeiros que varre os corredores da Velha Senhora, agora assumidamente indigna: de comboio com a incompetência generalizada, o seu secretário-geral, o Sr Kofi Annan, nascido em Gana, vem sendo acusado de encobrir fraudes e desvios do programa Petróleo por Comida, criado para ajudar o Iraque, e que envolve diplomatas da ONU, Saddam Hussein, empresários e o filho do próprio Annan, Kojo, em "maracutaia" de bilhões de dólares.

De concreto, sabe-se o seguinte: após 50 auditorias levantadas pelo Escritório de Serviços de Supervisão Interna (que agora se prolonga pelo Congresso norte-americano), estão sendo divulgadas informações que detalham como as agências da ONU "atiraram pelo ralo milhões de dólares doados pelo mundo inteiro". Nos relatórios publicados em site de Internet por comitê independente nomeado pelo próprio Annan, fica evidenciado que o escândalo é de largo espectro e envolve desde pagamentos superfaturados a empreiteiros, até administração incompetente de recursos e vista grossa sobre operações fraudulentas de funcionários. O próprio Saddam usava o dinheiro do Programa para comprar armas.

No caso especifico da família Annan existe o seguinte: a empresa suíça Cotecna, contratada pela ONU sem licitação para inspecionar os containers de alimentos que entravam no Iraque, além de conviver com o não cumprimento das normas de fiscalização do programa, tinha na folha de pagamento o filho de Annan, que ganhava sem trabalhar. O esquema de fraude movimentou o repasse de subornos na ordem de US$ 10 bilhões.

Com seus ternos impecavelmente cortados e o pendor para encaminhar as questões diplomáticas usando dois pesos e duas medidas, o secretário-geral da ONU parece dobrar os joelhos quando, acuado, justificou:

"Reconheço que esses pagamentos criam uma percepção de conflito de interesses e malversação de dinheiro. Mas meu filho é um homem de negócios, independente, e não se envolve nas minhas atividades - nem eu nas dele".

Para Annan, tudo está explicado. Mas só até a entrega do abaixo-assinado e a previsível reação do Congresso americano diante dos escândalos da ONU.

PUBLICIDADE
ÚLTIMAS PUBLICAÇÕES SOBRE "OPINIÃO"Índice das publicações sobre "OPINIÃO"
31/12/2022 - 07h25 Pacificação nacional, o objetivo maior
30/12/2022 - 05h39 A destruição das nações
29/12/2022 - 06h35 A salvação pela mão grande do Estado?
28/12/2022 - 06h41 A guinada na privatização do Porto de Santos
27/12/2022 - 07h38 Tecnologia e o sequestro do livre arbítrio humano
26/12/2022 - 07h46 Tudo passa, mas a Nação continua, sempre...
· FALE CONOSCO · ANUNCIE AQUI · TERMOS DE USO ·
Copyright © 1998-2026, UbaWeb. Direitos Reservados.