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Exercer o direito de opinar sobre qualquer assunto é um direito inerente à cidadania. Quem diz isso é a Constituição Federal. Ter um espaço para exercer o direito de opinar sempre foi difícil. Ainda mais quando se têm a consciência limpa e nada a esconder. Mas, graças a Deus, a Internet veio resolver essa situação esdrúxula. Para desespero de todos aqueles que sempre tiveram telhado de vidro e para desespero daqueles que se tornam alvos de opiniões contrárias e comentários desfavoráveis. Hoje, quem domina a tecnologia é seu próprio veículo. Da mesma forma que quem se senta na direção de um automóvel, um indivíduo pode ligar seu desktop, conectar sua máquina e sair surfando pela rede. Com um detalhe significativo: ele pode se portar como simples receptor ou então interagir com aquilo que lhe interesse. Vale tudo. Dependendo de sua atualização tecnológica, o indivíduo pode participar de videoconferências, participar de chats, falar por IPs ou se intercomunicar via e-mails e posts. Sua opinião sobre um fato gerador, seu comentário sobre uma matéria escrita a respeito e a ideologia que o orienta vão movimentá-lo no tabuleiro. Hoje, todos formam e emitem opiniões. O conceito do "formador de opinião" está sendo colocado na mesma estante daquele que fora um "contador de histórias". Lixo ou museu. A escolha fica por conta de quem irá fazê-la. O espaço na mídia tradicional custa caro. E quem paga por ele quer uma opinião favorável como bonificação. Dentro dessa filosofia, o jornalismo de resultados vem se destacando como uma nova constelação dentro do universo da mídia. Às vezes, engolem-se alguns sapos (vide VASP e BANCO SANTOS). Mas, o resultado geral é satisfatório, tanto para os jornalistas quanto para os anunciantes. O problema é que este estado de coisas está levando profissionais a não coexistirem com opiniões discordantes, seja na mídia tradicional ou em mídias alternativas. Na verdade, querem que tudo acabe numa grande festa, com sorrisos para cá e mesuras para lá, desde que o seu produto seja consenso em elogios. Não perdoam quem fala contra, cobram satisfações e consideram uma má-educação respostas à altura. O conceito de se vender espaço e não vender opinião é coisa do passado. Um de seus cultores, o falecido Januário Carneiro fez a Rádio Itatiaia - a maior emissora de rádio do Estado de Minas - desse jeito, hoje completamente extinto. Outro que trabalhava dentro desse conceito estrito era Dermival Costa Lima. Minha opinião profissional sobre a mídia saiu dali. Já quem me ensinou quando uma idéia é vendável e como vendê-la foi Orlando Negrão Jr. Devo muito ao trio. Quanto ao espaço que tenho hoje para opinar este foi feito por mim e minha consciência. Só a ela devo alguma satisfação. As novas tecnologias me possibilitam a produzir conteúdo, fornecê-lo ou afixá-lo virtualmente onde bem entender. Estar na rede é estar lá para ser visto. Ser lido e compreendido já são outros 500. É bom lembrar que a maioria da população com curso superior em nosso país não consegue compreender um texto lido. O percentual, pela última pesquisa divulgada, já estava em 67%. Como o IBGE foi descredenciado pelo próprio Presidente da República, não existem mais estatísticas confiáveis a respeito. E é isso o que acontece comigo hoje: sou livre, exerço meu direito de opinar, comentar e tenho espaço para isso. Não tenho nada a esconder e tenho a consciência limpa. Esse é o peso da minha opinião. Isso me basta. Pode não bastar aos alvos das minhas opiniões e dos comentários. Isso nunca foi problema. Nota do Editor: Luiz Sergio Lindenberg Nacinovic é jornalista.
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