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Opinião
23/01/2005 - 15h43
A política cinematográfica de Bush
Daniel Sant’Anna - MSM
 

Contrariando e enterrando praticamente de forma definitiva a assertiva falaciosa de que a administração Bush possa ter qualquer ligação suspeita ou empatia com as grandes empresas de mídia e entretenimento nos EUA, ela acaba de editar medida que estimula a produção de filmes independentes - ou seja, realizados fora da estrutura dos grandes estúdios - e especialmente, o investimento nesse tipo de operação financeira.

A partir de agora, o investidor que aplicar recursos na produção de filmes independentes de baixo e médio orçamento (entre 2 e 20 milhões de dólares), poderá obter dedução do investimento no Imposto de Renda. Os filmes deverão ser prioritariamente produzidos dentro do território norte-americano, empregando mão-de-obra local e utilizando-se de serviços técnicos disponíveis dentro do próprio país. A restrição de piso no orçamento impede que o estímulo seja usado para filmes pornográficos, por exemplo, em geral muito mais baratos que as produções convencionais.

A medida é um estímulo impactante para aquela que já é uma das mais dinâmicas indústrias do mundo, dotada de inesgotável capacidade de se reinventar. Além disso, pode ser um duro golpe nos grandes estúdios, uma vez que boa parte dos investidores de médio porte poderá migrar para as produções independentes atraídos pela possibilidade de renúncia fiscal. Impossível se pensar numa melhor forma de "intervir" no mercado para estimular a livre concorrência e aumentar as chances de novos empreendedores surgirem e poderem competir em melhores condições com gigantescos conglomerados já estabelecidos e que controlam a um só tempo a produção, a distribuição, a exibição e a promoção de lançamento de seus filmes. Bush, "bobo" que só ele, saboreia doce vingança contra o "oligopólio progressista" de Hollywood...

Enquanto a administração George W. Bush estimula a concorrência entre pequenos e grandes empreendedores, o Banco do Brasil destina 700 mil reais a cada um dos 7 cineastas brasileiros mais célebres, em nome de uma tal campanha de revitalização da auto-estima do brasileiro. Os filmetes de 3 minutos, além de absurdamente caros, inclusive para os padrões internacionais, têm resultado pífio, que pode ser conferido nos intervalos de programas de grande audiência. Não se sabe se os institucionais realizados com nosso dinheiro são feitos para se rir ou para se chorar: se repararmos na pobreza da produção, riremos; se lembrarmos quanto custaram, choraremos copiosamente...

Restam as perguntas: qual será a posição de nossos "cineastas independentes" em relação à notícia? Passarão a citar Bush como exemplo de governante preocupado em estimular a produção de filmes de arte, independentes e destinados ao circuito alternativo através do incentivo fiscal? Ignorarão a matéria? E por que nossos sempre atualizados jornalistas culturais dela não tomaram conhecimento? O público mereceria respostas, contanto que elas não custem nada mais ao bolso do contribuinte, que já está bem vazio, entre outras coisas, de tanto financiar filmes ruins e caros.

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