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Opinião
24/01/2005 - 17h23
É a riqueza que importa, não a pobreza
João Luiz Mauad - MSM
 

A pobreza tem sido objeto de uma infinidade de estudos mas, se quisermos explicá-la teremos que compreender, antes de mais nada, os mecanismos que produzem a riqueza. O homem começou a sua epopéia terrestre pobre e assim prosseguiu durante um longo período. A pobreza, portanto, é o estado natural do ser humano e nada mais é do que a ausência de riqueza, tanto quanto o preto é a ausência de cor ou a escuridão é a falta de luz. Esta verdade cristalina parece fugir ao entendimento de políticos, burocratas, ativistas profissionais e demais demagogos da esquerda, que enxergam o problema de modo inverso, como se a riqueza fosse a ausência de pobreza. Não causa surpresa, então, que as suas soluções, normalmente calcadas em puro assistencialismo e intervencionismo, sempre se transformem em retumbantes fracassos. Não por acaso, toda vez que focam as suas ações na pobreza acabam, indiretamente, obstruindo a geração de riqueza.

A história nos ensina que a prosperidade é o resultado da ambição individual, da energia, da inteligência, da autodisciplina, da responsabilidade, do talento, da habilidade, do conhecimento e de alguns outros atributos. Como Deus fez os homens muito diferentes uns dos outros, a desigualdade social é inexorável. Quanto mais os indivíduos detiverem as características acima, mais irão progredir e vice-versa. Lutar para acabar com as desigualdades é, por conseguinte, contraproducente e inútil.

A verdadeira batalha é criar o ambiente propício para o enriquecimento da sociedade como um todo e, dessa forma, melhorar as condições de vida de TODOS os que nela vivem. Não é preciso muito esforço intelectual para compreender que a pobreza é um conceito relativo. Ser pobre no Brasil não é o mesmo que sê-lo na Somália ou no Haiti. A riqueza pessoal está diretamente relacionada com a riqueza da sociedade. Gente pobre nos Estados Unidos, por exemplo, dispõe de mais conforto do que a classe média em Sri Lanka. Quanto mais próspera é uma nação, menor é o sofrimento dos seus pobres.

O ambiente de que falamos acima deve encerrar os seguintes itens basilares: liberdade de iniciativa, defesa intransigente do direito de propriedade e garantia do cumprimento dos contratos. Esse "eco-sistema" ideal, também chamado de livre mercado, tem a sua origem na tríade da qual nos fala Hume: respeito à vida, à propriedade e aos compromissos. Sob este Estado de Direito as pessoas competem entre si para satisfazer os desejos e necessidades alheios. Competem quando compram produtos e serviços e também quando os vendem. Logo, a fortuna será privilégio daqueles que melhor e mais eficientemente identifiquem os desejos dos consumidores, produzam produtos e serviços para atendê-los e administrem com maior eficiência e zelo os seus negócios.

A competição dos empresários pelos "favores" do consumidor está, portanto, apoiada na antecipação das prioridades e necessidades destes. Nesta "corrida", vencerão sempre aqueles que oferecerem os produtos mais úteis, de melhor qualidade e os preços mais baratos. A economia de mercado está toda ela voltada para o consumidor. Ele é o ente a ser satisfeito, conquistado, mimado e bajulado. Não através de leis e regulamentos anacrônicos como muitas vezes vemos, mas pela defesa permanente da competição entre os agentes. Além disso, há que se combater firmemente os privilégios, que podem estar escondidos sob várias formas: protecionismo, reservas de mercado, zonas francas, incentivos fiscais etc.

Para finalizar, é preciso enfatizar que a riqueza do mundo não é algo estático, como imaginam os marxistas. Pelo contrário, desde o advento do capitalismo ela tem aumentado de forma constante. A cada dia que passa há mais casas, mais estradas, mais veículos, mais eletrodomésticos, mais remédios, mais hospitais, mais escolas, mais indústrias, mais roupas, mais alimentos, tudo isso em benefício de uma quantidade cada vez maior de pessoas (demonstrando como é falaciosa e cruel aquela afirmação dos obtusos esquerdistas segundo a qual o desenvolvimento e a industrialização só beneficiam uns poucos). Uma vez que esta riqueza é produzida através do trabalho, da iniciativa, do talento e de cada troca efetuada no livre mercado, quase toda ela é artificial e precária. Em outras palavras, foi criada pelo homem para o seu próprio benefício, já que o estado natural do ser humano, como vimos antes, é a mais absoluta pobreza.

Em resumo, se os políticos de verdade quiserem realmente combater a miséria, não devem tentar empobrecer os ricos e os empreendedores, impondo-lhes impostos, entraves burocráticos e regulamentos absurdos, mas sim trabalhar em prol de um ambiente favorável ao desenvolvimento e à prosperidade, vale dizer, deixando livre o mercado para que ele faça o que sempre fez ao longo da história: enriquecer o homem e as sociedades em geral. Hong Kong e Taiwan eram lugares absolutamente miseráveis após a II Guerra. Hoje são muito ricos. Por quê? Liberdade econômica. Funciona sempre e em todos os lugares.


Nota do Editor: João Luiz Mauad é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.

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