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SEÇÃO
Crônicas
25/01/2005 - 14h48
Quando o amor hiberna
Ronaldo Coelho Teixeira - Agência Carta Maior
 

Passada a euforia solidária de fim de ano e a onda consumista que o período incita, continuamos diante de um antigo e desafiador dilema: a eterna e humana procura pelo amor. Pois, apesar dos avanços tecnológicos e do visível desenvolvimento humano, as pessoas - em sua maioria - continuam travadas quanto a essa questão.

Ignoramos ou não queremos ver que a nossa existência sobre a terra pode ser resumida nessa procura. Mesmo as pessoas dividindo-se entre aquelas que correm atrás de sabedoria, de dinheiro ou de poder, não importa, na verdade é o amor o objetivo final dessa incansável e, às vezes insana, busca.

Por outro lado, esse avanço social - intensificado do século passado para cá, com o largo crescimento industrial que gerou e continua gerando bens de consumo e serviços em grande escala - fez com que, ironicamente, nos afastássemos ainda mais uns dos outros. Assim, com a vida aparentemente prática e fácil nos centros urbanos - e, em alguns casos, até nos rurais - e inundados de tecnologias, a tendência é continuarmos perdendo cada vez mais esse contato direto com o outro, já que máquinas estão cumprindo essa tarefa.

Mas toda essa parafernália eletroeletrônica que nos envolve e nos anestesia para com o próximo, não substitui a primeira necessidade humana: a comunhão. E o amor, que só pode existir a partir desta, cada vez mais é posto de lado nessa existência tecnicista e metódica.

Por isso, essa vida feito cópia da cópia. Quase já não criamos nada. Pois, para se criar algo é necessária a existência de uma força dinâmica. E só o amor pode originar essa força.

Não vemos também que a felicidade, filha dileta do amor, é algo mágico que se multiplica ao ser dividido. Afinal, que graça pode haver em conquistarmos algo sem poder comemorá-lo com os nossos, queridos e próximos.

Por fim, não adianta sairmos procurando cegamente pelo amor, pois ele já existe dentro da gente. O que acontece é que geralmente está apenas dormindo, sedado e inerte pelas tantas barreiras que ao longo da nossa existência construímos contra ele.

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