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Temos a mania de achar que tudo que é importado é bom. Mesmo que de procedência duvidosa, sendo importado... Em presença de estrangeiros somos obsequiosos, verdadeiros tapetes de que eles se servem. Dizem que é arquétipo colonial, prestamo-nos ao serviço desde o descobrimento. Até a água, que temos em abundância, é preterida pela francesa Perrier. Será que não há fonte igual, ou melhor, por estas bandas? Alguns produtos, não de primeira necessidade, como o uísque, vinhos, queijos, estes sim, melhor é optar pela área de importação do supermercado. Não pensem que sou xenófobo. Fui criado em uma geração que tentou, tenta (?) imitar o american way of life, em que o inglês fazia e faz parte, que a música italiana, francesa, inglesa, americana embalava os bailinhos, os escurinhos e até hoje está na lembrança. De Sinatra, Sergio Endrigo, Michel Ponareff, Beatles, Zepellin ao U2 ou Joss Stone continuamos sintonizados ao que surge, separando o joio do trigo, e tentando aproveitar o que é bom. Nada contra, by the way. Em Ubatuba nos dois últimos mandatos os prefeitos foram ubatubanos. Não lembro bem do governo de Sr Vigneron o penúltimo a ocupar o cargo. Crendo que santo de casa não faz milagres "importou" alguns acólitos não ubatubanos para ajudá-lo. Houve falhas administrativas ou acharam que seu governo não foi bem. Sofreu uma espécie de defenestração do cargo por voto popular ao fim de seu mandato. O Sr Paulo Ramos voltou (já fora prefeito anteriormente) por força de nova eleição como manda a democracia. Trouxe com ele toda a entourage com a qual já havia trabalhado. Seu séqüito era composto em sua maioria - falo dos assessores - por ubatubanos. O problema era que a máquina já estava viciada e trilhou o mesmo caminho anterior. Trilhando o mesmo caminho acabou, quando achava que continuaria por mais 4 anos, sendo e tendo, tal e qual o Sr Vigneron, sofrido defenestração por força do voto popular. O Sr Paulo Ramos quando de seu segundo mandato ao escolher a mesma assessoria que houvera trabalhado com ele deveria saber que estaria dizendo adeus à tentativa de reeleição. Escolhera uma assessoria viciada em seu modus operandi, e na qual ele foi sempre omisso em seu, seus poderes decisórios. E, pior, acabou dando razão aos que proclamam que santo de casa não faz milagre. O prefeito eleito não é ubatubano nem a lei diz que tenha que ser. Provavelmente tenha sido pego de surpresa. Não esperava ganhar a eleição assim como seu colega não esperava perder. Ao coligir nomes para sua assessoria esbarrou e esbarra com o grande problema da política nacional. A troca de favores. PT xiita e PT sunita brigam por cargos. Uma ala da Igreja que o apoiou idem. Dizem que até a católica andou protestando. Nesse imbróglio importou uma série de nomes desconhecidos para agradar, creio, gregos e troianos. O Sr Paulo Ramos havia criado uma escola que o atual prefeito resolveu varrer do caminho. Achou nomes em escolas alhures tendo dado preferência a universitários formados em Itajubá. Acredito que haja ubatubanos competentes para quaisquer dos cargos em que foram preteridos. Mas o Sr Prefeito não é daqui e isso também não o faz pior, ou melhor. Por enquanto estamos apenas no terreno do imponderável. O efetivo exercício executivo mal começou. É preciso dar um tempo ao tempo. Não sabemos se as "importações" havidas darão certo. Como disse, há ubatubanos capazes que poderiam contribuir. Quando muito para não deixar denegrido nossos nomes por falhas de caráter anterior. Se as "importações", ao final, se provarem de procedência duvidosa que os ubatubanos possam voltar em próxima eleição e sem os vícios que os alijaram do poder. Aos não graduados: procurem fazer o vestibular em Itajubá. You never know. É sempre bom prevenir. Nota do Editor: Luiz Carlos dos Santos é ubatubano e professor.
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