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Opinião
28/01/2005 - 06h07
Um novo visual para Ubatuba
Ernesto F. Cardoso Jr.
 
 
Arquivo GAT 
  Uma calçada da região central de Ubatuba, em uma manhã de domingo.


A região central urbana de Ubatuba é deveras feia. Contrasta, chocantemente, com seu entorno: mar azul, morros e montanhas de lindos contornos, a exuberante Mata Atlântica com sua imensa e rica variedade de espécies vegetais, enfim, tudo ao derredor é lindo.

Como ocorre, comumente, habituados a este cenário, deixamos de apreciar devidamente tanto a beleza que nos cerca, como a feiura que nela incrustamos.

De fato, a olhos críticos e sensíveis a tão bela Ubatuba - obra e arte da natureza, é, também, a cidade tão desfigurada pela incursão do homem.

Gostaria de ater-me, nesta apreciação crítica, à nossa região central. Ela necessita, urgentemente, de amplo e completo tratamento visual. Ruas e calçadas clamam por uma repavimentação, regularização e padronização, de modo que não só se tornem mais bonitas, mas, mais apropriadas ao motorista, ao ciclista e ao pedestre. Fundamentalmente, falta-lhes limpeza, lavagem, raspagem, eliminação de poças constantes d´águas várias. Falta-lhes, também, arborização que além de lhes somar beleza, traria o conforto da sombra nos dias quentes que dominam nosso clima. Há cidades no mundo cuja arborização é motivo de intenso fluxo turístico nas épocas de floração. Exemplo magnífico são as cerejeiras em flor ao longo do rio Potomac, em Washington, D.C., EUA. O Japão possui inúmeros exemplos também, além de muitas cidades pelo mundo afora. O Brasil, com tantas espécies de árvores que florescem majestosamente em cores múltiplas, ignora-as até no conhecido aterro do Flamengo, no Rio, obra prima de nosso respeitado Burle Marx, o qual, projetou milhares de espécies de rara e pobre floração, oferecendo um lindo visual verde que poderia ser, também, rosa e roxo pelas quaresmeiras, amarelo pelos ipês, branco e lilás pelos manacás e tantas outras cores e tonalidades.

Esse tratamento visual de nossa região central teria de corrigir a desordem dos letreiros de publicidade, das placas de todas as variedades, dos anúncios luminosos, de tudo isso que aguça o olhar, mas, denigre o belo. Letreiros bem feitos e ordenados e especialmente os luminosos de múltiplas cores, demarcam cidades famosas em todo o mundo, tornando-as distintas até lá do alto do céu riscado pelos aviões, mas, precisam ser ordenadas esteticamente. As fachadas dos prédios deveriam ser regularizadas, pelo menos nas cores. Quem não aprecia uma Lisboa de casario todo branco?

As praças e jardins teriam de ser primorosos em jardinagem, paisagismo e adaptação ao lazer, após um intenso trabalho de aculturação para que nossa gente aprenda a respeitar as plantas, as flores e o espaço público. Como ter tantas praças entregues à vegetação nativa, ao invés de torná-las pontos de convivência social e de prática de lazer e esportes? Não creio que isto seja impossível, pois, observo já há algum tempo que a meninada deixou de atirar pedras aos pássaros, em razão da consciência ecológica que lhes vai dominando a cultura. Agora, precisamos ensinar-lhes o respeito ao patrimônio público, aos parques, aos jardins, à natureza toda.

Esse visual depreciativo de nosso centro, enfeia-se mais, ainda, pela desordem do trânsito de bicicletas em todas as direções, largadas desleixadamente pelos passeios e nas frentes de prédios; pelos estacionamentos desordenados de veículos ao longo de ambos os lados de ruas estreitas; pelas sinalizações despadronizadas e raras, indicativas de destinos e rumos e de vias alternativas para descongestionar o trânsito. Essa desordem toda, deveras enfeia nossa cidade.

Quanto às bicicletas e ciclistas, defendo a tese de que nunca lhes demos o espaço e a segurança equivalentes aos dados aos veículos motorizados. Temos mais de 55 mil bicicletas, constituindo-se, portanto, no veículo predominante em nossas ruas. Esta constatação deveria determinar preferências, ordenação e segurança correlatas. Na realidade, desrespeitamos os ciclistas e eles nos desrespeitam ainda mais grosseiramente.

Tudo isto tem um custo, sabemos. Por que não fazer PPPs - parcerias público - privadas, com os bairros e logradouros onde as praças se situam, com os empresários e comerciantes, com os mais afortunados que tem interesses aqui?. Aliás, essa seria a melhor forma de preservar os jardins e parques, impedindo a ação dos predadores, ou depredadores. A sociedade seria envolvida na sua construção e na sua preservação. Para trabalho de tal monta, deveríamos criar e treinar cooperativas de jardineiros e de outras especialidades de mão-de-obra, que poderiam ser contratados pela sociedade civil em parceria com o poder público. Seria uma campanha memorável pelo embelezamento de nossa urbe.

Nunca deixo de imaginar a área do aeroporto paisagisticamente tratada. O nosso Secretário de Arquitetura e Urbanismo, Arq. Sidney Giraud, mostrou-me, há dias, entusiasmado, o projeto paisagístico da área destacada do aeroporto e que se integrará ao patrimônio da cidade. Fiquei muito feliz com sua sensibilidade de arquiteto criativo. Que tal Sidney, estender esse projeto a todo o perímetro do aeroporto, criando pistas de cooper e de ciclismo, pistas de skate e de patinação, áreas de descanso ao longo de canteiros ajardinados? Com a grama do campo mantida aparada, teríamos um magnífico conjunto paisagístico que daria imensa utilidade àquela área, para nós que aqui vivemos e para os nossos visitantes. De um trambolho urbano que hoje é, teríamos um magnífico parque de lazer e um bálsamo para os olhos.

Finalmente, uma reforma visual do centro teria, necessariamente, de passar por um programa de erradicação das favelas que ali se encontram. Essas áreas reordenadas, poderiam abrigar, nos mesmos locais, ou bem próximo deles, conjuntos habitacionais populares de bom gosto que abrigariam as mesmas famílias, inserindo-as no contexto de uma cidade turística, elevando-lhes o status social e despertando-lhes um maior senso de cidadania. De fator negativo, poderiam se transformar em agradáveis conjuntos habitacionais, limpos, confortáveis e decentes.

É sonhar demais? Creio que não. Ubatuba, por sua decantada beleza natural e com um programa oficial de embelezamento e restauração, apoiado pela mídia, despertaria em setores públicos e privados o desejo de contribuir para esta renovação. Insisto sempre que ao invés de tanto esforço em atrair, artificialmente, o turismo para um ambiente urbano tão negativo, em seu visual geral, a transformação que defendemos seria, por si só, o maior atrativo turístico de que necessita esta cidade.

Ubatuba é como um rico anel, cravejado por uma pedra rústica e mal lavrada - seu pobre, sujo e deformado centro urbano.


Nota do Editor: Ernesto F. Cardoso Jr. foi diretor de vários projetos, entre os quais o "Condomínio Laranjeiras" em Paraty, RJ.

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