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Medicina e Saúde
30/01/2005 - 08h16
Meninas e cosméticos - uma relação delicada
 
 
Especialista alerta para riscos do uso precoce dos cosméticos nas crianças.

Elas brincam de boneca, de bola e pulam corda na escola, mas não dispensam um batom e um esmalte colorido. Ainda são crianças, mas muitas vezes se perdem no guarda-roupa da mãe experimentando sapatos de salto alto, jóias e perfumes. É só um ensaio. E, segundo a psicologia, isso é muito natural e faz parte do processo saudável do amadurecimento feminino. Os pais acham divertidas estas investidas e alguns até estimulam as filhas a se maquiarem para "ficarem mais bonitas". Entretanto, é preciso ficar atento aos produtos e cosméticos que começam a fazer parte do universo infantil.

Segundo a Drª Flavia Addor, médica dermatologista e diretora técnica da Medcin Instituto da Pele, muitos produtos podem causar problemas dermatológicos. "Alguns cosméticos apresentam substâncias químicas que aumentam o risco de dermatite de contato, por exemplo", afirma a médica. "A pele infantil, embora não tenha nenhuma fragilidade em relação à pele adulta, tem uma área proporcionalmente maior, o que facilita a absorção de determinadas substâncias", acrescenta. Outra questão importante a ser considerada é o cuidado com o uso indiscriminado dos produtos. "Usar em excesso pode provocar irritações na pele como ressecamento e descamação, já o uso impróprio, pode trazer outros malefícios como a inalação excessiva ou mesmo ingestão, sobretudo em crianças pequenas", alerta.

A solução mais adequada é a prevenção. "Neste caso", orienta a Drª Flavia Addor, "o ideal é que as meninas tenham seus próprios produtos de higiene e cosméticos, cujas formulações e mesmo embalagens foram desenvolvidas especialmente para o uso infantil. Vale lembrar que os produtos devem ser exclusivamente para crianças, não para bonecas, pois estes não são formulados com ingredientes cosméticos propriamente ditos, com a segurança adequada. Não adianta somente que os produtos sejam de uma marca confiável. É preciso que sejam produtos infantis. Eles são feitos à base de ingredientes próprios para esta finalidade, e normalmente são elaborados para manter as características da pele infantil", acrescenta. "É importante que as mamães estejam atentas aos rótulos. Produtos com pequena quantidade de corantes e ausência de álcool são as melhores opções. Além disso, já existem no mercado produtos de marcas que se preocupam com a segurança, desenvolvendo estudos apropriados, e podem ser identificados com os dizeres de rotulagem dermatologicamente testados e hipoalergênicos", lembra a médica.

Outro fator que merece atenção é a procedência dos produtos. Cuidar da pele também é cuidar da saúde. "Assim como os remédios, produtos cosméticos e de higiene não podem ter procedência duvidosa. Essa regra é especialmente importante quando se trata de crianças", alerta Drª Flavia Addor. "Produtos vendidos em camelôs, por exemplo, podem representar grande risco para a saúde. Além de freqüentemente estarem mal acondicionados, muitos deles são clandestinos e não possuem o registro do Ministério da Saúde", esclarece.

Confira algumas sugestões para ajudar na escolha dos produtos mais adequados:

• Sabonetes - escolha sempre aqueles com o pH mais próximo possível ao do pH da pele, algo em torno de 5,5, ou seja, levemente ácido;

• Colônias - prefira aquelas sem álcool, com pouco ou nenhum corante;

• Condicionadores - se possível, evite o uso desses produtos nos cabelos infantis. Porém, se necessário, não aplique na raiz, mas apenas nos fios;

• Maquiagem - evitar e, se não for possível, preferir sempre maquiagem para crianças e produtos que saem com água;

• Esmalte - devido à presença de solventes em sua composição, evitar. Se não for possível, busque sempre alternativas infantis, ou esmaltes solúveis em água.


Fonte: Drª Flávia Addor, médica dermatologista e diretora técnica da Medcin Instituto da Pele.

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