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Opinião
30/01/2005 - 15h13
Política e Religião
Ernesto F. Cardoso Jr.
 

Esta é apenas uma nota de elogio aos que mais recentemente escreveram sobre este assunto - Dr Herbert Marques e Eduardo Souza, os quais dissertaram muito bem sobre este delicado, mas, momentoso tema, tanto para nós brasileiros, como para outros povos, também. De fato, é preocupante, não a presença de religiosos na política, trazendo seus altos valores morais e éticos, sejam lá de qual religião forem, pois, tais valores existem em quase todas as profissões de fé, mas, a intromissão da política na religião. Obviamente, que Deus, ou o deus de cada uma, é visto pelos respectivos crentes sob prismas distintos, ou não teríamos religiões diferentes. O preocupante, mesmo, repito, é a política com suas características costumeiras, entranhada na religião, transformando escolas de pensamento político em dogmas religiosos e vive-versa.

O que todos precisamos entender, mesmo que isto cause algum trauma nos menos apercebidos, é que a religião, seja qual for, é uma criação profundamente humana. A história do homem sobre a terra, desde as eras primitivas, demonstra que a religião só aparece bem mais tarde, como uma conseqüência sócio-econômica. Aceita ou não esta verdade, o importante é que até para cada um de nós, a religião tem um aspecto muito particular, especialmente para os que filosofem sobre a origem da vida e o destino do homem e do mundo. O importante é que se não podemos viver sem uma religião, devemos, por outro lado, buscá-la com a liberdade que temos de seres racionais pensantes e livres. Deus é único para cada um de nós, em razão, a) do que expusemos acima, b) em virtude de nossa experiência de vida e c) de nossa relação de fé com Ele. A beleza do Cristianismo está, não tanto em seus dogmas de fé, mas, em seus altíssimos valores morais e éticos que postos à disposição da política poderá elevá-la aonde jamais chegaria. A política, todavia, jamais terá o que e em que aprimorar a religião. Por isto, os altos valores cristãos, que não se exprimem, nem por falares estranhos, nem por gritaria ou murmúrios sem nexo, nem por estertores, e muito menos pelo exemplo de lideranças, ditas religiosas, que nada mais são que salafros mercadores da fé, banalizadores do alto conceito de Deus e da própria religião, que vendem por moedas uma suposta "salvação" aos incautos, como se fossem intermediários entre Deus e o homem, quando para o cristão só há um - Jesus Cristo, o Justo. Na política, o que mais se deseja, dos religiosos que lá estão, é ver os frutos do Espírito na prática, como definidos na Epístola aos Gálatas 8:22 e na Ética cristã, tão bem explicitada por Cristo e os apóstolos através das epístolas do Novo Testamento.

Tais religiosos podem fazer muito bem à política, desde que as velhacarias da política não os contaminem.


Nota do Editor: Ernesto F. Cardoso Jr. é MBA - Mestre em Administração de Empresas.

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