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O artigo do dia 27/01 de Jarbas Passarinho ("O patronato que se cuide"), publicado no DCI, tem a minha concordância, exceto em um ponto fundamental. Passarinho é, como sempre, um escritor muito elegante e espirituoso, analisando com distanciamento o governo Lula, sem esquecer todavia de citar as suas ligações com o Foro de São Paulo, organização empenhada na implantação da revolução comunista no Continente Sul-americano. Lembra ele também a vocação guerrilheira e revolucionária do MST, braço do PT, que acabou de fundar uma milionária escola preparatória para subversivos, com apoio oficial. O autor fecha o artigo com um alerta: "os industriais que se cuidem", em face do desrespeito reiterado ao princípio de propriedade privada a que temos assistido. É aqui que peço vênia ao ex-ministro para discordar. Seu alerta é insuficiente. O problema do PT que não engana, o "verdadeiro", é que sabe muito bem onde quer chegar. O látego tem sido usado de forma mais eficaz na questão tributária, lamentavelmente esquecida por Passarinho. É como se eles quisessem fazer a revolução pelo Fisco, expropriando o que podem pela via dos impostos. Não é questão menor. O Estado brasileiro, se computado o déficit, já devora diretamente 40% do PIB e tem vocação para elevar rapidamente esse percentual. É a socialização da economia na porta da produção, na logística, e não no controle dos meios. É uma situação gravíssima, que está condenando toda a sociedade ao padecimento, e não apenas os industriais. É toda a gente que empobrece e uma multidão que perde o emprego e não consegue voltar ao mercado de trabalho. É o horror econômico planejado e implantado a toque de caixa. A Medida Provisória 232, que eleva a taxação sobre as empresas de serviços, em trâmite no Congresso, dá bem a medida da má fé dos atuais governantes. O roubo da propriedade é feito pela via legal mediante tributação excessiva. É preciso lembrar que dar nomes diferentes às coisas não lhes muda a natureza. São os empresários que carregam o fardo tributário, embora a técnica da tributação sobre vendas e sobre o valor agregado possa dar a falsa percepção de que quem paga é o consumidor. É a via indolor do vampiro sugar o sangue. Muita gente cruza os braços e não resiste a esse embuste pensando que está a salvo enquanto empresário. Ora, muito imposto implica na elevação imediata dos preços, o que reduz o mercado e, portanto, a produção. Inversamente, sem os impostos e mantidos os preços, vê-se que há uma tunga no valor agregado pelos produtores. É o empresariado quem paga a conta em última análise, embora toda a sociedade seja negativamente afetada pelo excesso de impostos. Os empregados ficam sem empregos, os pobres mais pobres e os empresários sem o seu mercado e sem os seus recursos. No limite, a manutenção dessa situação, ora amainada pela prosperidade permitida pelo inusitado aumento das exportações, poderá levar a uma grande crise econômica. Então eu generalizaria o alerta de Passarinho: "os brasileiros que se cuidem". Está todo mundo no mesmo barco e, quando ele afundar, morrerão os que estão em todas as classes. O fundo das águas é um buraco negro a devorar toda a gente. Só resta, portanto, resistir. A luta é de todos. Nota do Editor: José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP.
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