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Chico Buarque de Hollanda esperou tanto pelo dele. E ele aconteceu. Pode ser que não tenha lá sido muito feliz, basta ver o estado a que chegamos. Anacrônico, burocrático, com excesso de carga tributária, judiciário engessado e ainda cultuando a impunidade. Nesse ponto o Carnaval não muda a ordem do desfile, pois o exemplo é sempre Paulo Salim Maluf. Se isso que estamos presenciando é o carnaval de felicidade prometido pela campanha "paz e amor" que elegeu o candidato da oposição ao neoliberalismo, a gente sempre teve uma idéia e uma esperança errada de como a coisa ia começar a se desenrolar, assim que Fernando Henrique Cardoso saísse pela porta dos fundos. Hoje, quem pula Carnaval é ele, num festejo que só terá encerramento em 2006. E o Carnaval do príncipe já está atrapalhando o desfile da fantasia de Geraldo Alckmin, candidato natural para a sucessão dentro da estrutura tucana, articulada a semelhança da hierarquia do Partido Republicano Paulista & Mineiro da tão antiga República Velha, extinta por Getúlio e a quem os Tucanos, como Udenistas convictos, querem destruir o legado. No carnaval da história, aquele Rei Momo baixinho será sempre uma figura insubstituível na comissão de frente. Como sempre acontece, até no Carnaval nós engrossamos as estatísticas dos excluídos. Nos postos de trabalho, nas aposentadorias, na saúde pública, na educação em todos os níveis. A elite, em seu carnaval predatório, nunca fez nada de útil no sentido de ajudar a população a se auto incluir no rol de consumidores de renda média, numa distribuição de riqueza um pouco mais justa, com a cidadania servida como valor agregado. Nada disso. Para este baile que eles promovem, o QI (quem indica) tem que ser avalizado por quem manda. Igualzinho a hierarquia do crime organizado, que está com a faca e o queijo na mão para o maior Carnaval do planeta. Sem eles, a festa mela e não vai ter carteirada que dê jeito. Quanto a nós todos, ilhas que formamos o arquipélago sociedade, vamos continuar em retiro, esperando nosso Carnaval, com bailes abertos a todas as idades e sem nenhum preconceito. O Chico esperou pelo dele e ele chegou. A esperança nunca morre. Vamos continuar sentados, à beira do caminho, esperando pelo nosso. Nota do Editor: Luiz Sergio Lindenberg Nacinovic é jornalista.
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