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Medicina e Saúde
23/04/2004 - 17h27
Aids na Terceira Idade
 
 

A estatística surpreende: 2% dos brasileiros acima de 60 anos são portadores do vírus da Aids, segundo apuração do Ministério da Saúde (MS). Isto significa que mais de cinco mil idosos têm a doença. Porém, tais cifras podem ser bastante superiores levando-se em conta que ainda existe um "não diagnóstico" neste grupo etário.

O infectologista Jean Carlo Gorinchteyn atribui esse aumento ao fato dos idosos atingirem idades avançadas com boas condições físicas, que os permitem continuar suas atividades físicas, das quais as sexuais estão contidas; relações, estas, facilitadas pelo grande arsenal terapêutico para distúrbios eréteis. Outro aspecto importante para o aumento das estatísticas deve-se ao fato da não inclusão dos idosos em campanhas de prevenção da Aids fazendo-os crer estarem isentos do risco de contaminação: "fala-se muito em gripe, mas esquecem o aumento considerável de idosos com Aids".

Aids na Terceira Idade assumiu comportamento de doença crônica e as possibilidades de tratamento ampliaram-se ao longo dos anos, permitindo aos pacientes um aumento de sobrevida. Mas, paralelo ao envelhecimento dos pacientes contaminados, houve aumento da expectativa de vida da população geral, e que lhe permitiu continuar as relações sociais, e é claro, às sexuais como conseqüência.

A infecção pelo HIV nessa faixa etária relaciona-se, na maioria dos casos, à contaminação sexual, sendo as heterossexuais as mais freqüentes. Por isso, torna-se primordial que o médico, ao atender um paciente idoso, lembre-se de alertá-lo sobre a necessidade e importância do uso do preservativo nas relações sexuais não conjugais.

O crescente número de notificações de Aids entre os idosos também é contemplado pela falta de campanhas publicitárias de orientação e prevenção da Aids, que têm sempre como foco o jovem, a gestante, o dependente químico. Esqueceram-se dos idosos e então ele não se identifica como um doente em potencial. Há ainda o fator cultural, que é muito forte. O homem acima dos 60 anos tem mais dificuldade de aceitar o preservativo, pela falta de costume ou por acreditar que se trata de artefato voltado para prevenção de gravidez e não de doenças sexualmente transmissíveis. Acrescenta-se, ainda, inabilidade para a colocação e o uso da camisinha por parte dos idosos e o medo de perder ereções efetivas. Essas questões fazem com que ele se abstenha de usar o preservativo nas suas relações não conjugais, ficando exposto à aquisição do HIV, aumentando, conseqüentemente, as estatísticas desta população.

É importante lembrar que não só a conscientização da população é importante, mas também da comunidade médica, já que algumas doenças como pneumonias graves ou quadros demenciais podem estar relacionados com a Aids e não obrigatoriamente com o envelhecimento, tornando-se fundamental a realização de testes em pacientes idosos com estas condições clínicas.

Um outro grande desafio é enfrentar o estigma psicossocial da moralidade e da conduta. Essa discussão quase sempre leva a aspectos que colocam o paciente, já fragilizado pela própria doença, como responsável e merecedor desse dissabor. O doente de câncer é merecedor de acolhida e amparo pelos familiares, diferentemente do idoso contaminado pelo vírus HIV, que devido ao preconceito sobre suas condutas é, por muitas vezes, abandonado. É preciso reverter também esse quadro.

A verdade é uma só: os números vêm aumentando ao longo dos anos na Terceira Idade provavelmente porque esse grupo nunca esteve envolvido em campanhas de prevenção. E é justamente por isso que o idoso considera-se totalmente fora do foco da doença, do risco de exposição à Aids.

Nota do Editor: Dr. Jean Carlo Gorinchteyn, 35 anos, é infectologista, com mestrado em doenças infecciosas pela Coordenação dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo. Médico assistente da quinta unidade de internação do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

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