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Opinião
11/02/2005 - 15h35
ABCD da má fé
José Nivaldo Cordeiro - MSM
 

Há uma contradição abissal entre justiça e igualdade econômica, que igualdade em geral já nem mais discuto: cada um dos homens e mulheres constituem uma riqueza única e irreprodutível, incomparável até, não podendo ser homogeneizada. O discurso contra as desigualdades em geral está na boca dos coletivistas que fingem indignação e, na prática, tentam reconstruir um modelo de sociedade aristocrática em que a tal igualdade econômica proposta só vale para o gado trabalhador tornado escravo. A elite dirigente sempre forma uma casta à parte, concentrando em sua mão os poderes econômico e político. E, muito pior, essa forma de produção, além de profundamente injusta, é ineficiente. O exemplo da derrocada do império soviético é por demais conspícuo para que dele nos esqueçamos. O da China, mais recente, só prova que liberdade econômica combina com prosperidade.

Faço essa introdução para falar da mais nova ONG que está em processo de criação e foi lançada no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Quem nos deu a bisonha notícia foi um dos seus idealizadores, Plínio de Arruda Sampaio, em artigo publicado na edição do último dia 04 da Folha de São Paulo, sob o título "O ABCD da desigualdade social", a sigla ABCD significando Ação Brasileira de Combate à Desigualdade.

Vejamos alguns dos argumentos para que tão "generosa" entidade tenha sido concebida:

1- "O sistema econômico, social e político brasileiro, tal como está estruturado, é a causa primeira da desigualdade e, portanto, uma fábrica de miséria". A frase é perfeita, mas não pelo que pensa o autor. Um sistema econômico no qual cerca de 40% do PIB são diretamente absorvidos pelo Estado é, por definição, perverso, desigual e uma fábrica e miséria. O Estado não poupa, gasta mal, não faz cálculo econômico e, ao tomar tanto dinheiro de quem trabalha, inviabiliza a criação da prosperidade, ao inviabilizar o investimento privado.

2- "Com o dinheiro, concentram-se o prestígio social e o poder político em uma elite obcecada pela modernização de seus padrões de consumo e absolutamente indiferente à impossibilidade de universalizá-lo". Esse é um dos maiores disparates que alguém poderia dizer. Casualmente a própria Folha de São Paulo, em sua edição de hoje (07/02), traz uma ótima reportagem sobre o enriquecimento do clã de Renan Calheiros em Alagoas, o senador que quer presidir o Senado Federal, a partir da obtenção do poder político. Se analisarmos cada uma das nossas lideranças políticas, com as honrosas exceções de regra, veremos que esse padrão se repete. Não é o dinheiro que traz prestígio social e poder político, mas sim, é o poder político que engendra os outros dois. Quanto maior o Estado, mais as oportunidades de negócios restringem-se a transações com o próprio Estado, não necessariamente ilícitas, mas sempre intermediadas politicamente. Conclusão: para desconcentrar renda e poder basta reduzir o tamanho do Estado.

3- "Quem considera inaceitável a absurda concentração da riqueza em nossa sociedade não deve perder-se em atalhos. Precisa atacar o problema frontalmente, exigindo reformas que desencadeiem um processo efetivo e rápido de redução das desigualdades. Trata-se de atacar as causas da desigualdade e da pobreza, o subemprego estrutural, único meio de criar mecanismos automáticos de distribuição de renda e reverter a tendência concentracionista do sistema econômico, social e político". O que propõe o ilustre advogado para a eficácia do seu abecedário? O ativismo político mais feroz, de todas as formas. Nas suas palavras: "As reformas agrária, urbana, bancária e tributária estão obviamente na mira da ABCD. Mas o trabalho não começará por aí. A primeira operação agendada visa à conquista de um instrumento mais eficaz para combater a desigualdade. Trata-se de uma campanha para coletar milhões de assinaturas de apoio ao projeto de lei que amplia o alcance dos três institutos criados na Constituição Federal a fim de garantir a participação do povo no processo legislativo como forma concreta de assegurar a soberania popular: iniciativa popular de lei, plebiscito e referendo". Ou seja, um ataque frontal ao direito de propriedade, acompanhado do ativismo legislativo, com mobilização de massa. É a proposta da venezualização do Brasil, com todas as letras do alfabeto.

Plínio fecha o artigo convidando para que os leitores se engajem nessa empreitada: "Não parece necessário dizer que a ABCD está aberta a todos os que se sintam indignados com a insultuosa desigualdade que marca a sociedade brasileira e desejem colaborar concretamente para sua eliminação". É a marca registrada dos coletivistas e engenheiros sociais. Eu me sinto indignado, sim, mas sei bem a etiologia do mal: é o Estado gigante, advogado e sustentado por gente de má fé como Plínio de Arruda Sampaio, cujo único propósito é viabilizar seu projeto político pessoal, e não um Brasil forte e próspero, com seu povo livre e trabalhando em seu próprio benefício. Precisamos de um abecedário radicalmente oposto a esse que está em curso.


Nota do Editor: José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP.

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