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Em entrevista publicada na Folha de São Paulo em 08/02, o presidente do PT, José Genoino, está certíssimo ao afirmar que "O PT é um partido de esquerda, que se baseia na principal característica de ser de esquerda, que é a luta pela igualdade social. O PT tem uma militância de esquerda, quadros que têm uma história e um compromisso com a transformação econômica, social e política do país". Mais não disse porque não quis, que o PT integra o Foro de São Paulo, organização empenhada em estabelecer o comunismo nas Américas, tendo Lula sido o seu primeiro presidente e que o MST é a sua vanguarda de luta contra o princípio de propriedade, apelando inclusive à violência aberta. É o velho pragmatismo do "Partidão", de quem o PT é o legítimo herdeiro. Genoino completa: "A principal mudança foi o PT ter se preparado para ganhar a eleição e governar o país. Eu costumo dizer que o PT mudou, mas não mudou de lado". Como diria o personagem do Chico Anísio, o discurso moderado é apenas para se eleger. O problema é que a sociedade brasileira, toda ela, adotou como lema a máxima do "engana-me que gosto", tratando com complacência os avanços do coletivismo. O PT também é de esquerda porque sua ação governo é de esquerda, devidamente despojada seja dos aspectos românticos e irracionais, seja da ilusão de que bastaria a Presidência da República para a implantação do socialismo. Devagar com o andor que o santo é de barro e 1964 não está tão distante assim. A esquerda aprendeu a lição, a duras penas. Ter a Presidência da República não é garantia de imposição de decisão de força. Os valores liberais, especialmente o princípio da propriedade privada, tão vilipendiados e denegridos, ainda são a base real do sistema econômico e não podem simplesmente ser substituídos de um golpe. Os críticos à esquerda bradam que a política econômica supostamente seria neoliberal. Ora, é a única política racional possível e a literatura esquerdista propõe um vácuo teórico e suicida para substituí-la. Não possuem nada para pôr no lugar, exceto a intervenção estatal incerta e destrutiva, a emissão inflacionária, a autarquização do País, o ativismo político em substituição à ordem necessária à normalidade econômica, a ruptura dos contratos e o repúdio da dívida pública. Uma política assim deporia Lula em três meses, disso as lideranças sabem muito bem. O governo Lula aperta o garrote onde é possível, seguindo a linha de menor resistência: na ação fiscal, na ação legislativa e na regulamentação geral do que pode, sem esquecer da política internacional, que transformou o Brasil no arauto do atraso. O cipoal legislativo no Brasil está sufocante, inviabilizando o desenvolvimento capitalista e objetivamente suprimindo, pouco a pouco, a liberdade econômica, esteio das demais liberdades. Em muitos mercados só sobrou lugar ou para o monopolista gigante, mais das vezes multinacional, ou para os nanicos da economia informal. A pequena e média empresa capitalista está em processo de extinção. O termo esquerda não perdeu o seu poder heurístico para explicar a dinâmica do processo político, por mais que a História ensine que nasceu de uma divisão um tanto arbitrária da Assembléia Nacional Francesa. Nomes não surgem por acaso e carregam forte carga simbólica que é ela mesma uma fonte de explicação. Esquerda está ligada ao coração, ao emocional, ao irracional, ao destrutivo, ao caos, à desordem, enquanto que a direita é o oposto de tudo isso. Obviamente que uma política esquerdista puro-sangue é um desastre e todas as suas experiências acabaram em alguma forma de genocídio, de sofrimentos cataclísmicos para as suas vítimas, de ilusão irracional que transformou promessas de redenção no inferno na Terra. Comunismo e nazismo são formas históricas radicais da experiência esquerdista e bem sabemos o que custaram em vidas humanas e destruição para a Humanidade, em escala planetária. Genoino está certo. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. Nota do Editor: José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP.
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