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Opinião
26/04/2004 - 18h04
Cidadania e civilidade - II
Ernesto F. Cardoso Jr.
 

Em nosso último artigo "Cidadania e civilidade", enunciamos alguns conceitos clássicos sobre o tema, na expectativa de suscitar, não só um melhor entendimento de sua abrangência, mas, a compreensão de sua importância na vida prática de todos nós que vivemos em sociedade.

Neste artigo, gostaria de iniciá-lo relembrando o famoso enunciado de John Kennedy, o presidente americano assassinado em 1963, o qual, em seu discurso inaugural, assim definiu a postura que ele esperava do autêntico cidadão americano, àquela altura da história de seu país tão desejoso de grandes mudanças, a exemplo do que ocorre, hoje, em nosso país, conclamando a "não perguntar o que pode fazer o País por mim, mas o que posso eu fazer pelo meu País".

Este é um conceito precioso sobre o que é ser cidadão. Há algum tempo, em artigo publicado em "O Estado de São Paulo", um articulista escrevia que ser cidadão é "poder ser governado e poder governar".

Estes dois conceitos têm uma relação muita estreita. Ambos destacam o caráter ativo do indivíduo em prol da sociedade. Ao salientar que a verdadeira cidadania busca um papel contributivo, uma espontânea disposição ao trabalho construtivo em benefício da comunidade, um desinteressado dar de si em favor do bem comum, "o que posso eu fazer pelo meu País" traduz-se, sinteticamente, em tornar-me uma célula governativa no conjunto do corpo social.

"Poder ser governado", é exercer sobre si mesmo aquela disciplina e a postura contributiva, que tornam o governo possível, fácil, ameno. Além de facilitar a governança, a cidadania completa-se quando o cidadão atua ajudando a construir a sociedade - a comunidade de seu bairro, de seu município, de seu Estado e de seu País. Note-se como pode ser ali, no local onde moramos, a origem da construção, ou reconstrução de um país mais fraterno, mais justo, mais digno de verdadeiros cidadãos, que é o que me parece ser o ideal de todos nós brasileiros, ideal este dito e repetido em todos os principais discursos políticos que ouvimos. Infelizmente, parece-nos que uma hipermetrofia (visão apenas ao longe) impede que muitos encontrem seu nicho de atuação a partir do núcleo. Olhamos para o cenário nacional e desejamos mudá-lo, esquecendo-nos que é a partir da célula individual, domiciliar, de meu bairro, de meu município, que todos nós podemos contribuir para a reconstrução de nosso País.

"O que posso eu fazer pelo meu País", deveria ensinar-nos que onde existe cidadania, há necessidade de menos governo, porque todos se auto-governam; há necessidade de menos repressão, porque todos se auto-disciplinam; há necessidade de menos leis, porque todos se auto-regulamentam; há necessidade de menos muros, porque todos se auto-limitam; há necessidade de menos grades, porque todos se auto-estimam. Onde a cidadania se desenvolve, as prisões cedem lugar a jardins floridos e a parques de lazer e quando uma comunidade consegue construir estas belezas, consubstanciadas na ação cidadã e patriótica de seus munícipes e governantes, um novo país floresce e desabrocha.

"O que posso eu fazer pelo meu País", inicia-se pelo que eu posso fazer pela minha rua, pelo meu bairro e pelo meu município. Esta deveria ser a nossa nova filosofia a substituir a velha cultura de atribuir ao Estado o poder e o dever de tudo realizar e transformar.

O verdadeiro cidadão é um princípio ativo na sociedade. Sua atuação construtiva é que define, de fato, a grandeza de um país.

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