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Opinião
21/02/2005 - 11h36
Século dos extremos
Pedro J. Bondaczuk
 

O século XX provavelmente passou para a história como o dos extremos. Nele a humanidade protagonizou o máximo do bom e do ruim. Manifestaram-se os melhores e os piores sentimentos, as ações mais nobres e construtivas e os homicídios em massa mais asquerosos e covardes; o extremo de vileza e de violência e o supra-sumo de bondade e dedicação.

O mal prevaleceu. É mais fácil de ser praticado! Nunca, na crônica das civilizações, se registraram tantas guerras, tantos crimes, tantos roubos, tantos vícios e tantas usurpações como os ocorridos nesse dramático período de apenas cem anos (foram duas conflagrações mundiais, cerca de três centenas de regionais, além de incontáveis golpes e revoluções, que afetaram algumas dezenas de países, em geral os mais pobres, mais ignorantes e mais esquecidos pelo restante da humanidade).

O número de mortos nessas carnificinas ultrapassou, em muito, o do total de habitantes que a Terra teve em séculos anteriores inteiros, em que a população mundial chegou ao seu ápice numérico (excluindo o atual, logicamente, que apesar desse hediondo morticínio, bateu todos os recordes populacionais, já que somos, neste início de ano 2005, seis bilhões e trezentos milhões de indivíduos).

As armas utilizadas nesses confrontos são, de tal sorte, poderosas, que sequer foram imaginadas, nem em seus delírios mais loucos, pelos nossos antepassados. Os homens não se contentaram com a bomba atômica, que pulverizou, em minutos, Hiroshima e Nagasaki. Pesquisaram e desenvolveram artefatos muito mais terríveis, tão potentes que a "Little Boy" e a "Big Fat" (codinomes das armas que arrasaram as duas cidades japonesas em agosto de 1945), numa comparação rudimentar, seriam como inocentes estilingues perto do poder destruidor de um canhão.

Foi o século do "Holocausto", dos campos de concentração, dos "gulags", dos massacres, dos êxodos em massa de refugiados, da Aids, do Ebola e de tantas outras doenças virulentas e velhacarias praticadas por supostos líderes redentores. No seu final, pouquíssimos detinham muitíssimo das riquezas do Planeta, enquanto muitíssimos não possuíam nada ,ou quase nada ,e 1,5 bilhão eram forçados a sobreviver com um dólar diário, quando não com nem isso.

Há algum tempo, o canal de TV a cabo GNT exibiu documentário, intitulado "Trinity e Além", de causar arrepios e provocar náuseas e mal estar em pessoas de bom senso. O vídeo versava sobre a evolução dos testes nucleares, realizados apenas pelos EUA, com imagens dramáticas de várias dessas explosões experimentais.

Era um espetáculo tão medonho, que chegava a ser tragicamente belo, com seus gigantescos cogumelos de fogo, cujas temperaturas só têm similar no sol e em outras estrelas, se erguendo a quilômetros de altura em direção ao céu, depois de irradiar luminosidade tão intensa, capaz de cegar instantaneamente quem se atrevesse a observá-la de frente, mesmo a dezenas de quilômetros do local das detonações.

Imaginem a quanta radiação estamos expostos, desde 1945, quando se deu a primeira explosão nuclear na atmosfera, no campo de provas de Álamo Gordo, no Estado norte-americano do Novo México!!! Apenas os EUA efetuaram 337 testes ao ar livre, no Estado de Nevada e em ilhas do Pacífico. Bombas de Hidrogênio (termonucleares), algumas com potência suficiente para varrer do mapa continentes, foram testadas em profusão igualmente pela extinta URSS, pela Grã-Bretanha, França (que apenas encerrou suas experiências na Polinésia em 1996, depois de intensa pressão internacional), China e mais recentemente por Índia e Paquistão. E tudo para o quê?

O século XX gerou um Adolf Hitler, um Joseph Stalin, um Joseph Mengele, um Adolf Eichmann, um Mao Tsé-Tung, um Pol Pot e tantos e tantos outros notórios assassinos, cuja simples menção causa asco e terror (e ainda há imbecis que os defendem e até reverenciam!). Mas nele também viveram figuras magnânimas e construtivas, como um Albert Sabin, um Albert Schweitzer, um Alexander Fleming, um Christian Barnard, uma Irmã Dulce e, principalmente, uma Madre Teresa de Calcutá. Foram, é verdade, pessoas não tão populares quanto os notórios e sanguinários homicidas acima citados. A virtude não impressiona. Ainda assim, suas vidas exemplares e suas obras meritórias resgatam um pouco (mesmo que em um grau mínimo), nossa esperança na prevalência da bondade e da razão sobre os baixos instintos.

Há uma, de tantas citações de Madre Teresa (que morreu na mesma semana do acidente que vitimou a Princesa Diana e cuja morte mereceu pouquíssimo destaque da imprensa, ao contrário da de Lady Di), que diz: "Que ninguém jamais se aproxime de você sem se retirar melhor e mais feliz". Ela agiu assim! De quantos se pode dizer que a imitam ou pelo menos tentam imitar? Que bom seria se este fosse o comportamento normal e rotineiro da maioria das pessoas!!


Nota do Editor: Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor.

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