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Opinião
23/02/2005 - 08h44
A espada na pedra
Mário César de Camargo
 

Entre 1944 e 1953, somente quatro grupos de imigrantes e seus descendentes representavam 75% da população brasileira: portugueses, 41,1%; italianos, 18,3%; espanhóis, 14,4%; e japoneses, 1,1%. Hoje, incluindo os descendentes, o País tem 25 milhões de italianos, 10 milhões de árabes, 1,16 milhão de japoneses, bem como representantes de praticamente todas as etnias do Planeta. A estes dados contidos no site do Memorial do Imigrante, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, acrescentam-se milhões de afro-brasileiros, cujos ancestrais para aqui vieram sob o flagelo da escravidão.

Para toda essa gente, a aventura da mudança e da conquista é memória viva, emocionante. Grande parte dessas pessoas cruzou os oceanos em porão de navios e aqui chegou com apenas uma moeda no bolso. Alguns, o que é mais grave, vieram à revelia de suas próprias opções e sem a prerrogativa da liberdade. Da agrura dos primeiros anos, transformaram a própria vida e o País. Aqui construíram e instalaram indústrias, empresas comerciais, bancos, propriedades agrícolas e prestadoras de serviços. Destacaram-se em todos os ramos profissionais, no esporte, nas artes, na música, na política e na cultura.

São pessoas cuja principal matéria-prima foi a coragem. Coragem de acreditar em suas possibilidades de crescer, melhorar o mundo e exercitar o direito à oportunidade, essência do civismo e amálgama da cidadania. Esta prerrogativa humana, antropológica, desafiou os mais infames preconceitos, as mais inóspitas ditaduras e a truculência dos que acreditam no cerceamento da liberdade de expressão e ação como ferramenta de poder. Somente mulheres e homens com a extirpe dos desbravadores de paradigmas, inclusive os da discriminação, seriam capazes de eleger presidentes da República como Luiz Inácio Lula da Silva, operário e líder sindical que governa uma nação com 180 milhões de habitantes, ou Abraham Lincoln, filho de humildes lavradores do Kentucky, que entrou para a história como estadista que emancipou os escravos, criou as bases para a forte economia dos Estados Unidos e, ao lado de outros nomes antológicos, inspirou a moderna democracia.

Foram a crença na capacidade de ir além e o direito de almejar melhores condições de vida os principais impulsionadores do advento das empresas, dos profissionais e da economia de mercado, na transição entre o feudalismo e o renascimento. Nem mesmo na Índia, o milenar sistema social de estratificação por castas resiste ao ímpeto humano de evoluir e ao justo anseio de progredir sempre. Estas, afinal, são prerrogativas consentâneas à democracia.

Colocadas essas premissas, para a cadeia produtiva da comunicação gráfica, um dos setores que mais meios (jornais, livros, revistas, cadernos...) oferece à evolução dos indivíduos, foi particularmente chocante a recente afirmação do príncipe Charles, da Inglaterra, de que "as pessoas comuns não devem acreditar que podem subir na vida e deixar de ser serviçais, pois estudar e progredir contrariam a natureza". O herdeiro do trono do Reino Unido expôs a idéia em memorando no qual justifica a demissão de uma funcionária de origem afro-caribenha. No documento, ele afirma que "o moderno sistema educacional vai contra a seleção natural".

Pois bem, a postura do príncipe vai contra a mais nobre e emblemática lenda referente à monarquia inglesa, a de Arthur, o escudeiro que conseguiu ser rei e, governando com sabedoria, uniu todas as etnias, deu paz e prosperidade aos habitantes da Grã-Bretanha. Como o jovem monarca, bilhões de pessoas em todo o mundo acreditam ser possível tirar a espada da pedra e brandi-la na busca de um novo destino. É inconcebível cercear ou questionar esse direito.


Nota do Editor: Mário César de Camargo, empresário gráfico, administrador de empresas e bacharel em Direito, é presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).

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