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"Profit is like oxygen, food, water, and blood for the body; they are not the point of life, but without them, there is no life." - (James Collins)
As estradas brasileiras estão em estado caótico, repletas de buracos que são verdadeiras crateras, com péssima sinalização e qualidade totalmente questionável do asfalto. Recentes quedas de grandes trechos em rodovias importantes suscitaram uma revolta maior ainda com as autoridades responsáveis. O total descaso do governo, somado aos asfixiantes impostos cobrados, merecia uma reação mais firme por parte dos cidadãos. É preciso dar um basta nessa exploração escancarada da classe parasitária estatal, que toma à força os recursos produzidos pelo setor privado, para em seguida dar sumiço nessa montanha de dinheiro. Na verdade, parte desse dinheiro tem destino conhecido, como o milionário avião novo do presidente, que não precisa aventurar-se pelas precárias estradas federais. Alguns leigos mais românticos costumam condenar a "ganância capitalista" e o "individualismo" dos empresários que buscam o lucro. Contra estes, acabam defendendo uma utopia, um Estado idealizado onde os burocratas seriam indivíduos clarividentes, honestos e iluminados, capazes de oferecer aos cidadãos serviços maravilhosos por puro altruísmo e vocação pública. Evidentemente, a realidade passa léguas de distância de tal sonho infantil. O processo de seleção desses burocratas é perverso, vencendo os mais populistas e corruptos, em um jogo de poder nojento. A concentração de poder em poucos gera invariavelmente um mar de corrupção. E por fim, quando ninguém é responsável pelos erros, e quando o dinheiro vem das "viúvas", é certo que a qualidade do produto não será preocupação, assim como seus custos. O resultado são essas estradas assassinas, apesar de impostos sempre maiores. Totalmente oposta é a realidade do setor privado. Os empresários arriscam suas economias, e portanto terão atenção total nos custos. Como dependem da satisfação dos usuários e clientes para sobreviverem, já que não possuem o aparato estatal para arrecadar na base da coerção, terão foco absoluto na qualidade do serviço. E por fim, como serão responsabilizados diretamente por qualquer erro no serviço ou produto, são os maiores interessados na segurança dos clientes. A "ganância capitalista" que busca incessantemente o lucro é a garantia da qualidade do serviço privado, enquanto tal incentivo inexiste no âmbito estatal. Por estas diferenças, óbvias para qualquer ser pensante, há total interesse da sociedade em tirar ao máximo o Estado da oferta de bens e serviços. As estradas não são exceção. O governo cobra compulsoriamente uma verdadeira fortuna de IPVA, e os usuários das estradas são obrigados a aceitar a péssima qualidade delas, colocando suas vidas em risco a cada viagem. A cidade de SP arrecadou sozinha R$ 857 milhões de IPVA apenas em janeiro de 2005. Metade desse valor é transferido para o governo federal. É bastante dinheiro, que se perde na corrupção inerente de Brasília. Enquanto isso, a busca "gananciosa" por lucro faz com que a CCR, empresa privada dona de algumas concessões rodoviárias, esforce-se ao máximo para oferecer um bom serviço com segurança aos seus usuários. A empresa, que faturou R$ 1,5 bilhão em 2004, é controlada pelo grupo português Brisa, assim como construtoras nacionais, como a Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Fora estes, outros 1/3 do capital da empresa estão com acionistas minoritários. Todos em busca de lucro. Todos bem "gananciosos". E essa é justamente a garantia de que as estradas sob sua administração estarão sempre mais seguras e em ótimo estado. Essa é a lógica capitalista. Para que cada viagem não seja uma arriscada aventura, para que os extorsivos impostos pagos não se percam na orgia estatal, para que trechos de importantes estradas não despenquem como se de areia fossem, há apenas uma solução racional. Esta é a privatização total de nossas rodovias. A transferência desses ativos para o setor privado é a única garantia de que as estradas recebam os investimentos necessários e sejam administradas de forma séria e responsável. O caminho alternativo, de mantê-las sob o comando estatal, representa tomar a estrada da morte. Nota do Editor: Rodrigo Constantino é economista pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.
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