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A ABD - Associação Brasileira de Dislexia que completou vinte e um anos. É uma entidade sem fins lucrativos que busca divulgar e esclarecer a população sobre dislexia (distúrbio de aprendizagem). Inicialmente a ABD funcionava como um centro de informação, edição de folhetos e boletins sobre dislexia, além de promover palestras. Hoje, além dessas atividades, ela possui também o Centro de Atendimento e Encaminhamento (CAE), cursos para professores e profissionais, além da organização e promoção de simpósios e congressos. A sede nacional e internacional localiza-se num ponto central da cidade de São Paulo, possuindo salas de atendimento, auditório e biblioteca. A Diretoria da ABD é totalmente baseada no voluntariado, com a participação de empresários, advogados, comunicólogos etc. A equipe multidisciplinar é composta de psicólogas, fonoaudióloga, psicopedagoga clínica e neurologista. A ABD subsistiu todos esses anos, graças aos cursos, simpósios e venda de materiais, já que seu quadro de diagnóstico é deficitário, pois atende carentes. A grande responsabilidade da ABD é divulgar pelo território nacional o que é a dislexia, pois ela é a única entidade dedicada a essa atividade em todo o país. O conhecimento do público em relação à dislexia é muito pequeno. Quando a ABD consegue inserir um artigo num jornal de grande circulação, uma entrevista num canal de televisão ou em uma revista aumenta muito a procura de informações de parte de crianças e adultos em busca de esclarecimentos e diagnósticos. A dificuldade na identificação da dislexia está no fato de que ela é uma dificuldade oculta, não apresentando deformações ou outros sinais aparentes, sendo assim, ela não possui o apelo visual do defeito físico, que impacta à imprensa, abrindo espaço para divulgação. Apesar da pouca divulgação que a dislexia consegue, tem aumentado sensivelmente o público que procura pela ABD: pais, professores, fonoaudiólogos, psicólogos psicopedagogos, pedagogos, médicos pediatras, neurologistas, geneticistas etc. A ABD tem vários cursos básicos, avançados e especializados para professores e também para várias categorias de profissionais, com o objetivo de esclarecer as dificuldades básicas de aprendizagem. As universidades brasileiras apenas apresentam a dislexia como um distúrbio de aprendizagem não dando a devida importância a ela. As crianças e adultos que chegam á ABD vêm encaminhadas pelas escolas ou por outros profissionais que já conhecem a Associação. Todos eles vêm com o diagnóstico de dislexia não fechado, mas todos com queixas de dificuldades de aprendizagem. O enfoque no CAE é multidisciplinar. Primeiro é feita uma entrevista com os pais por psicólogos que preparam uma anamnese. É também enviado um questionário para a escola que a criança freqüenta. O paciente passa por várias sessões com uma psicóloga, durante as quais será avaliado seu potencial cognitivo e emocional. Essa avaliação é feita através de testes de nível intelectual, psicomotor e projetivos. Em seguida, o paciente passará por uma fonoaudióloga e psicopedagoga a qual avaliará o desenvolvimento de suas funções básicas para seu processo de aprendizagem, provas neuromotoras, toda sua comunicação oral - análise dos órgãos fonoarticulatórios, expressão oral, escrita, com cópia, ditado e também de logatomas. O paciente que não consegue passar nestes testes configura uma dificuldade na relação letra - som, escrita espontânea, compreensão de textos, análise e síntese de palavras, divisão fonêmica e silábica, rima e aliteração. Caso haja necessidade, o paciente é encaminhado para um neurologista, ou pediatra, ou geneticista ou para o profissional que a equipe da ABD julgar indicado para o caso. Após estes testes, é feita uma análise do perfil do paciente a qual será discutida junto com a avaliação da fonoaudióloga e com outro profissional, caso seja necessário. Realizado o estudo do caso é feito uma devolutiva pela psicóloga, aos pais e ao paciente. Durante a mesma é entregue um relatório e sugestões de procedimento. O diagnóstico da dislexia pelo CAE da ABD é feito levando em conta o desempenho da leitura e ou escrita quando inferior ao esperado. Quando há disnomias (quando a pessoa não consegue nomear o objeto. Por exemplo: se a pessoa olhar para uma caneta não consegue nomear, mas sabe o que é) é também levado em conta a idade, inteligência, oportunidades educacionais, situação sócio-econômica e ausência de problemas neurológicos, sensoriais ou emocionais sérios. A maioria dos pacientes disléxicos diagnosticados na ABD tem um déficit na memória verbal, muita dificuldade na consciência fonológica e por isso são aplicados testes auditivos, que envolvem tarefas de subtração ou adição de fonemas, produção e reconhecimento de rima e aliteração e categorização de sons. Essa dificuldade específica em decodificação parece ter um efeito na aquisição de palavras novas. Outra variável psicolinguística importante encontrada é a dificuldade da distinção entre palavras reais conhecidas e palavras inventadas (logatomas), tanto na leitura e ou escrita mostrando um déficit no processo de correspondência letra-som. Quando é feito um diagnóstico de dislexia a ABD busca uma escola que aceite o paciente. É necessário orientar a escola no sentido de realizar mais provas orais, não fazer muita leitura em voz alta na sala de aulas, colocar o disléxico numa carteira mais próxima ao professor etc. Maior problema é encontrado com determinadas matérias como é o caso de uma segunda língua. No Brasil, na maioria das escolas essa segunda língua é o inglês, na qual é mais difícil fazer a relação letra-som. Outra dificuldade é encontrar um profissional para acompanhar e tratar o paciente. A ABD opta por profissionais que freqüentam os cursos e simpósios que ela ministra. A equipe do CAE, entretanto, sempre fica na retaguarda orientando pais, professores, escolas e os profissionais que ajudarão a criança. A ABD - Associação Brasileira de Dislexia é o único ponto de referência de dislexia no Brasil. Por isso sempre procura manter seus profissionais bem informados através da participação em cursos e congressos na Europa e nos Estados Unidos, mantendo contato com os pesquisadores de todo o mundo e, sempre que possível, trazendo-os para nossos simpósios internacionais.
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