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Medicina e Saúde
27/04/2004 - 11h23
O dente pode matar
 
 

Este foi um slogan de campanha que o CRO (Conselho de Odontologia) lançou no ano de 2000, cujo enfoque eram os riscos a que estão expostas as pessoas que deixam de dar a devida atenção à saúde bucal. A intenção era alertar a sociedade para a gravidade das doenças relacionadas à falta de cuidado com os dentes e gengivas e conscientizar sobre a importância da prevenção.

O problema da doença cárie, não é único na cavidade oral. O sangue que passa pela boca é o mesmo que chega ao coração, pulmão e fígado. Com isso, uma infecção bucal pode levar doenças a estes órgãos. As bactérias que começam agindo ali podem desencadear problemas inflamatórios, culminando em doenças como estomatites, gengivites, aftas e outras de maior gravidade. Portanto, o comprometimento da saúde bucal está diretamente associado à endocardite infecciosa (infecção nas válvulas do coração). A doença afeta o miocárdio e pode comprometer as funções vitais, exigindo uma internação hospitalar prolongada do indivíduo. A endocardite é responsável por uma alta morbidade e por significativas taxas de mortalidade. Infelizmente, os estudos mostram que 20% dos doentes não sobrevivem na fase aguda da doença e outra parcela significativa pode ficar com seqüelas graves.

Um dado estatístico interessante mostrou que o Incor (Instituto do Coração) registrou a cada mês entre 10 a 12 pacientes com endocardite e cerca de 40% destes casos originaram-se na cavidade oral, ou seja, tinham problema bucal resultante de infecções espontâneas, resultantes de dentes ou gengivas em mal estado, quando pela manipulação da área infectada para tratamento odontológico. Nesses casos, o que promove a doença é a bactéria Streptococcus vividans. Esta bactéria normalmente habita a boca sem lhe causar qualquer dano. Porém, ao entrar na corrente sanguínea, ela vai parar no coração e pode provocar a endocadite.

O principal grupo de risco são pessoas portadoras de doenças ou lesões da válvula cardíaca e cardiopatias congênitas, como o sopro no coração. O alerta à população é imprescindível, pois aqueles que sabem que são cardiopatas, devem sempre manter sua saúde bucal impecável, evitando assim, transtornos posteriores. É importante que o seu cirurgião-dentista esteja ciente de seu problema para fazer uso de medicação preventiva e caso haja necessidade, ele entrará em contato com o médico responsável, de forma que o paciente tenha um tratamento adequado e seguro. A integração médico X dentista possibilita uma visão holística da saúde; afinal a saúde bucal faz parte do quadro geral do organismo, onde muitas doenças aparecem primeiramente na cavidade oral. Num exame clínico bucal detalhado, podemos verificar certas doenças já instaladas e que passam despercebidas pelo cliente e por outro lado evitar dissabores, trabalhando de forma preventiva.

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