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Opinião
28/02/2005 - 19h00
O embuste da responsabilidade social corporativa
João Luiz Mauad - MSM
 

Uma das maiores coqueluches dos anos 90 no meio empresarial, principalmente americano e europeu, foi a disseminação da chamada "responsabilidade social corporativa" (RSC). Em síntese, esta idéia propõe que não é o bastante para as empresas gerarem lucros para os seus acionistas, sendo necessários investimentos orientados para atividades filantrópicas que nada tem a ver com os objetivos da companhia. O pior é que muitos executivos, mundo afora, hoje comungam, ou pelo menos dizem comungar, dessa convicção.

Uma pesquisa realizada pelo "The Economist" junto a 1.500 delegados (a maior parte deles executivos) presentes ao Fórum Econômico de Davos, descobriu que apenas 20% dos entrevistados considerava a lucratividade o mais importante fator de medida do sucesso empresarial. O restante ficou dividido entre a qualidade do produto (o maior percentual) e generalidades tais como "reputação e integridade da marca", "cidadania corporativa" e "responsabilidade social corporativa", dentre outras. Evidentemente, conforme bem mencionou o jornal, "nem todos os anticapitalistas presentes em Davos estavam amontoados do lado de fora dos salões de conferência".

A RSC apresenta-se hoje como uma indústria em si mesma, dispondo de websites, newsletters, associações profissionais, além de um sem número de consultorias especializadas. Sem falar nas ONG’s, que deram partida a toda essa baboseira. Os balanços e relatórios financeiros das grandes corporações apresentam, atualmente, páginas e mais páginas destinadas aos avanços na área da de RSC. Tudo isso seria muito bonito caso não configurasse uma enorme fraude. Sim, pois RSC nada mais é do que caridade com dinheiro alheio. Nas grandes companhias, os executivos e gerentes não são os seus donos. Eles nada mais são do que os gestores (muito bem remunerados) dos ativos que pertencem aos acionistas.

De acordo com o Prêmio Nobel de Economia, Professor Milton Friedman, "há uma e somente uma responsabilidade social nos negócios: utilizar bem os recursos e realizar atividades planejadas para incrementar os seus lucros, tudo dentro das regras do jogo, que equivale dizer, numa competição livre e aberta, sem qualquer ilusão ou fraude."

Já para o professor Walter Williams "todo executivo é um empregado dos acionistas e dos consumidores. Quando os líderes empresariais (chamados CEO’s) não reconhecem esse fato e passam a dedicar-se a atividades não relacionadas à busca do lucro, o resultado é o baixo retorno dos investimentos, maiores preços e menor geração de riqueza."

Matthew Bishop, editor de negócios do "The Economist", chama atenção para o fato de que iniciativas voltadas para a responsabilidade social tendem a reduzir o retorno dos acionistas, distrair o foco dos executivos, além de, freqüentemente, permitir a má utilização dos recursos. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Shell na Nigéria. De acordo com um relatório interno dessa companhia, citado pelo jornal "New Replublic", descobriu-se que grande parte dos recursos entregues ao governo "corrupto" daquele país para fins sociais teria sido desviado das atividades para as quais originalmente se destinava e acabou servindo para insuflar o conflito étnico ali existente. Segundo os auditores da empresa petrolífera, "a maior parte dos recursos foi desperdiçada" pelo governo local. A matéria conclui com a constatação de que, "no que concerne ao povo nigeriano, o dinheiro da Shell está associado ao embuste, à fraude, ao roubo e até a assassinatos".

"As empresas são real e naturalmente irresponsáveis em termos sociais? Eu diria que a resposta correta é não", disse Bishop durante seu discurso perante o "5th Annual Social Enterprise Conference", realizado em março passado na Harvard Business School. "Foi o processo de busca pelo lucro e a expansão de um sistema econômico onde a busca pelo lucro é possível, que fez o mundo fantasticamente mais próspero do que qualquer um imaginaria possível, mesmo trinta ou quarenta anos atrás."

Infelizmente, a pressão sobre as empresas, normalmente empreendida por organizações não governamentais e outros agentes do neo-esquerdismo, pode ter como resultado exatamente o oposto do que propugnam. Tendo em vista a constante exposição na mídia, muitas companhias estão começando a sentir que seria melhor retirar suas fábricas e plantas dos países subdesenvolvidos mais pobres do que arriscar ver seus nomes vinculados a condições de trabalho fora dos padrões praticados no primeiro mundo.

"É problemático assistir às empresas serem insistentemente acusadas de deslealdade somente por estarem tentando ser economicamente eficientes", complementou Mr. Bishop para uma audiência onde, aparentemente, a maioria não concordava com seus argumentos. Lamentavelmente, eu diria.


Nota do Editor: João Luiz Mauad é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.

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