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Opinião
28/04/2004 - 13h33
Cidadania e cultura
Ernesto F. Cardoso Jr.
 

Por que, sendo o Brasil um país de recursos (não confundir com riqueza) tão imensos, continua a figurar entre os de mais baixos índices de pobreza do mundo? Por que, com terras imensas e agricultáveis, temos de colocar hoje, como prioridade de governo, um programa de combate à fome, endêmica em diversas regiões deste erroneamente considerado "rico" país?

Durante quase todo o século XX, recém findo, especialmente durante o domínio das ideologias radicais de esquerda e direita sobre vastas regiões deste planeta, tentou-se induzir e forçou-se o mundo a crer, ao custo de milhões de vidas e do cerceamento das liberdades, que a miséria e o subdesenvolvimento de nações são o resultado do desígnio das demais nações avançadas, poderosas, cognominadas "imperialistas". Esta teoria desenvolveu-se aqui, na América do Sul, com sub-produtos conhecidos como a "Teoria da Dependência" - cujo principal luminar no Brasil foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; a "Teoria da Espoliação Estrutural Capitalista" - um outro "muro de lamentações improdutivas", cujo grande núcleo de difusão foi a CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina, com sede em Santiago do Chile e cujo secretário e principal mentor foi o economista chileno Raul Prébisch, conferencista muito requisitado à sua época. Por fim, a não menos famosa e discutida "Teologia da Libertação", que transmudou boa parte do clero católico e até o protestante deste continente sul-americano em apóstolos de um "modo novo de fazer teologia", apologistas de uma nova doutrina sócio-econômica, não referendada pelo Vaticano e menos, ainda, pelas escolas clássicas de Economia e que tem na CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a grande difusora de seus postulados.

Pois bem, a despeito de todos essas teorizações e proselitismos, feitos dentro do melhor espírito, devemos admitir, abraçados com fervor apostólico, a verdade é que hoje temos o exemplo contrastante de quantos países que com escasso território, climas e condições as mais desfavoráveis, figuram entre as nações mais ricas e desenvolvidas do mundo, a exemplo da Suíça , Suécia, Dinamarca, Holanda, Finlândia, Noruega, enquanto outros, em posições geofísicas semelhantes entre si, alternam-se entre a pobreza e a riqueza, entre sociedades atrasadas e avançadas, como Canadá e Rússia, no hemisfério setentrional, ou, em pleno clima tropical, Haiti e Barbados, ou, Nicarágua e Costa Rica, ao longo da Linha do Equador, ou, ainda, laborando em desertos, Israel e Países Árabes, no Oriente Médio, países que se contrastam pelo desempenho econômico e pela estabilidade / instabilidade social e política. Modernamente, temos o exemplo de outros tantos países que após guerras e conflitos internos ou regionais devastadores, ou após a II Guerra Mundial, sofreram transformações positivas notáveis como o Japão, a Coréia do Sul, a Malásia, a Tailândia, Cingapura, Chile e negativamente a Argentina, a Rússia e a maioria de seus ex-países satélites. E, por que não falar do crônico atraso social e político dos países mais ricos em petróleo do mundo, como os países árabes e africanos e a nossa vizinha Venezuela, países esses cujos Emires e Reis, os Husseins, Bourguibas e Chavez , se sucedem e se repetem, num interminável vai-e-vem de desacertos e infortúnios de toda a ordem.

Á luz das realidades econômicas atuais com que o mundo se depara e após o insucesso e o descrédito da eficácia das ideologias da extrema esquerda e direita; à luz dos progressos registrados pelos novos blocos político-econômicos que, transcendendo fronteiras, nacionalidades e etnias, reúnem nações díspares num novo surto de cooperação e desenvolvimento, puseram-se por terra todas essas teorias do passado, o que levou mentes lúcidas como a de um Fernando Henrique Cardoso, provada na realidade do exercício do governo de um país contrastante e complexo como o Brasil, secundado, agora e até aqui, pelo nosso novo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a afirmar com honestidade intelectual e pragmática (respectivamente): "esqueçam o que escrevi" e "esqueçam o que falei".

Sim, deve haver, de fato, algo mais a explicar a trajetória econômica, social e política dos povos, afora seus recursos naturais, sua posição geográfica, seu clima, seus recursos humanos.

Max Weber, o grande sociólogo alemão, professor universitário e jornalista fértil que faleceu em 1920, provavelmente, foi quem deu início a essa nova reformulação das reais causas da riqueza das nações, atualmente expandida por vários antropólogos, sociólogos e economistas ilustres, os quais vem comprovando que, afora tudo o mais que possa determinar, em menor grau, a fortuna, ou o infortúnio de um povo, sobrepuja a cultura como a mais comprovável razão da riqueza das nações - o cerne da verdadeira cidadania.

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