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A aprovação esta semana da lei italiana que impõe uma série de barreiras para médicos especializados em medicina reprodutiva não influenciará nas decisões dos senadores brasileiros, que devem votar em breve a nova Lei de Biossegurança. No entanto, demonstra o quanto o assunto é polêmico e gera controvérsias em todo o mundo. "Com certeza essa lei foi influenciada pela Igreja católica, que tem grande poder de persuasão naquele país", afirma a médica ginecologista especializada em reprodução humana, Silvana Chedid Grieco. A partir de agora seus colegas italianos não poderão congelar mais do que três embriões de uma pessoa. Além disso, é obrigatória a utilização desses três embriões, mesmo que um deles apresente alguma deficiência. Barrigas de aluguel e doação de sêmen estão proibidos. O médico que descumprir a Lei terá que pagar até 600 mil euros e será suspenso do exercício da profissão por três anos. "Por falta de informação as pessoas ainda não se sentem seguras em relação à medicina reprodutiva", declara. Aqui no Brasil o texto atual da Lei de Biossegurança, em trâmite no Senado, proíbe pesquisas com células-tronco devido à intervenção da bancada evangélica e católica. "As pesquisas com células-tronco poderiam achar a cura para a infertilidade e também de doenças como o Mal de Parkinson", continua. Ela acredita que, caso a lei brasileira seja aprovada com o texto atual, o Brasil sofrerá um retrocesso na área da pesquisa científica.
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