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Farmácias de manipulação podem contribuir para o fracionamento seguro de remédios. No Brasil, somente estes estabelecimentos possuem estrutura adequada para fracionar com qualidade e segurança.
A falsificação, um dos principais riscos apontados no fracionamento de medicamentos, pode ser eliminada com a inclusão das farmácias de manipulação no projeto apoiado pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Atualmente no País, somente estes estabelecimentos possuem infra-estrutura adequada, com laboratórios especializados no desenvolvimento de remédios para realizar o fracionamento de medicamentos com qualidade e segurança, ou seja, a comercialização do remédio na quantidade exata necessitada pelo paciente sem riscos à saúde. "Diferentemente das drogarias, que teriam que se adequar montando laboratórios internos para manipulação, as farmácias magistrais além de possuírem esta estrutura também tem todo o know how para os cuidados com estes medicamentos e a capacitação para o fracionamento", explica Vânia Regina de Sá, presidente da Anfarmag - Associação Nacional de Farmacêuticos de Manipulação. Outra vantagem é que toda farmácia de manipulação possui uma média de 2,8 farmacêuticos de plantão. Além de darem assistência ao paciente no balcão com orientações sobre o medicamento e tratamento, também trabalham internamente no laboratório do estabelecimento. "Somos mais de 5.200 estabelecimentos em todo o País. Desenvolvemos e comercializamos remédios manipulados, mas poderíamos agregar ainda mais à saúde pública fracionando medicamentos da indústria e dispensando aos pacientes de forma segura. Se o Brasil quer realmente seguir o modelo dos Estados Unidos e comunidade Européia praticado há mais de vinte anos, um dos caminhos são as farmácias magistrais", avalia Vânia. Se a proposta de fracionamento for aprovada, a iniciativa trará inúmeros benefícios aos consumidores porque reduzirá o custo do tratamento em 25%, eliminando desperdícios - sobras em caixas que foram compradas em quantidade superior à prescrição médica. O fracionamento implica na quantidade exata para cada caso, conforme prescrição médica, preservando as propriedades terapêuticas e evitando problemas de automedicação e riscos de intoxicações causados por restos de medicamentos guardados em casa. "É muito importante que o consumidor compre a quantidade exata de medicamentos. Se comprar a mais, fica com a sobra, que pode induzir a automedicação, além do custo final ser maior. Outro risco é comprar uma quantidade reduzida. No caso de um antibiótico, por exemplo, a bactéria adquire resistência ao medicamento e volta a atacar com maior vigor", diz Vânia. Manter restos de medicamentos em casa é um hábito enraizado da população brasileira que tem causado muitos problemas. Segundo dados do Centro de Intoxicações do Município de São Paulo, a maioria dos casos de intoxicação ocorre por medicamentos. Para o Sistema Único de Saúde, as vantagens da adoção do fracionamento são a redução de elevados gastos com medicamentos e, também, com o tratamento de casos de intoxicações. Para os profissionais de saúde, médicos e dentistas haverá um pouco mais de certeza de que a prescrição será cumprida pelo paciente. Para a população, especialmente a carente, o fracionamento facilitará sua adesão ao tratamento, pois terá mais condições de compra de medicamentos. A venda fracionada de medicamentos é praticada em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os integrantes da Comunidade Européia, há mais de 20 anos. "Acreditamos que a aprovação da legislação sobre a venda fracionada de medicamentos será um avanço nos hábitos dos consumidores brasileiros, levando-os ao uso racional de medicamentos, com a orientação segura feita por farmacêuticos", conclui Vânia.
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