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Desde que o presidente George W. Bush restringiu, em agosto de 2001, as verbas federais para pesquisa de células-tronco provenientes de embriões, o governo foi fortemente pressionado pela opinião pública. Segundo uma nota publicada pela Agência Reuters no dia 28 de abril, a maioria dos parlamentares americanos apóia o retorno dos estudos no país, o que reacende a discussão ética sobre o uso embrionário na obtenção do conteúdo celular. O benefício que as células-tronco podem proporcionar é indiscutível e abre alternativas sem precedentes para a cura de doenças que desafiam a medicina. Isto acontece devido a sua capacidade de se multiplicar e formar diversos tecidos, como cérebro, coração, ossos, músculos e pele. Se a medicina conseguir controlar seu desenvolvimento, estas células podem ser utilizadas para reparar tecidos danificados e tratar enfermidades incuráveis como câncer, problemas cardíacos, lesões da medula espinhal, epilepsia e diabetes. O que intriga os americanos não são os resultados deste processo, mas a forma de obter o material biológico. Alguns procedimentos não apresentam impasses éticos, como a coleta de células do sangue do cordão umbilical ou em tecidos adultos, que substituem células envelhecidas. Já a retirada de células-tronco em embriões envolve questões humanitárias, uma vez que implica na destruição embrionária. Os defensores da bioética argumentam que o seu extermínio é tão ilegal quanto o aborto, uma vez que acaba com uma forma de vida. Enquanto os Estados Unidos e as potências da Europa se ocupam com debates e restrições à aplicação da medicina, inúmeros países, inclusive os emergentes, já desenvolvem formas alternativas de obter o mesmo material sem ir de encontro aos problemas éticos que envolvem a pesquisa celular. No Brasil, por exemplo, existem bancos privados dedicados exclusivamente ao congelamento de sangue do cordão umbilical. A Criogenesis, já com dois anos de existência, é a pioneira no país e foi desenvolvida por médicos especialistas em criopreservação e aproveitamento de células-tronco. Segundo o Dr. Nelson Tatsui, hemoterapeuta e diretor da Criogenesis, a coleta é realizada durante o nascimento por uma equipe que se desloca até o hospital. Todo material utilizado na retirada do sangue do cordão umbilical é fornecido pela empresa. Após a coleta, o conteúdo é encaminhado para o laboratório, onde após diversos exames que avaliam a qualidade da bolsa coletada, é submetido ao congelamento controlado por softwares sofisticados. Para atender regiões, em qualquer lugar do país o banco de sangue conta com serviço aéreo que transporta o sangue em condições ideais. A célula-tronco pode ser encontrada mais comumente em duas regiões do corpo: na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, que permanece na placenta após o nascimento do bebê. Em casos de leucemia, por exemplo, o transplante de medula óssea nem sempre pode ser realizado, embora seja um procedimento de sucesso. "Não é tarefa fácil achar uma pessoa que possa ser doadora, pois os testes de compatibilidade são complexos e as chances de encontrar compatível são mínimas", explica o Dr. Nelson. Já com o sangue do cordão umbilical congelado, as células-tronco ficam disponíveis para necessidades como esta, durante pelo menos 15 anos após a coleta, embora alguns estudos considerem a possibilidade de estocagem por até 50 anos. Além desta vantagem, não há riscos de rejeição, uma vez que as células são provenientes do próprio paciente. O armazenamento do sangue do cordão umbilical de um recém-nascido é um investimento para a saúde futura da família, sem esbarrar nas questões da bioética, além de ser uma alternativa para o debate político do parlamento americano.
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