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Além de ser um problema mundial de saúde pública o hábito de fumar tem várias implicações sociais. Um congresso sobre câncer de pulmão realizado em São Paulo anunciou que apesar das doenças provocadas pelo uso do tabaco serem diagnosticadas na idade adulta (geralmente entre os 35 e 69 anos), seu desenvolvimento está diretamente ligado à infância. Mais de 90% dos fumantes iniciaram o hábito antes dos 19 anos e mais de 50% dos que experimentaram apenas um cigarro nessa faixa etária se tornaram fumantes compulsivos na vida adulta. "Trata-se de um problema muito mais amplo do que imaginamos. Envolve aspectos culturais, educacionais e familiares, o que dificulta o processo de prevenção", afirma a oncologista Dra. Edra Domingues P. de Oliveira, da Oncocamp, clínica de Campinas (SP) especializada em tratamento de tumores. Atualmente, existem mais de 1,1 bilhão de fumantes no mundo, e o hábito de fumar causa quatro milhões de mortes por ano. "Se continuarmos nesse ritmo, vamos atingir a marca dos 10 milhões de mortes anuais em 2020, sendo que 70% ocorrerão em países em desenvolvimento, como o Brasil", alerta. Infelizmente, o tabagismo responde por 40 a 50% de todas as mortes provocadas por câncer, além de ser responsável por 95% dos óbitos causados por tumores no pulmão. "Esses índices são muito altos se levarmos em consideração que falamos de pessoas doentes e mortas por conta do tabaco", detalha Edra. Segundo a médica, o tabaco é a principal causa de tumores de câncer de pulmão e aumenta a possibilidade do desenvolvimento de tumores na garganta e boca. Além disso, sabe-se que 75% das mortes provocadas pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica são originadas do fumo, 20% das doenças vasculares e 35% das cardiovasculares. Pare de fumar! Edra ainda explica que várias pesquisas confirmam o senso-comum de que parar de fumar não é fácil e exige determinação. "A maioria das pessoas sabe dos prejuízos do tabaco ao organismo e que deve interromper o hábito, mas não conseguem. Somente 3% obtêm sucesso", completa. A procura por parte da população em formas de parar de fumar tem gerado a criação de várias entidades, a mobilização de diversos profissionais da área médica e a formação de grupos de apoio psicológico para facilitar a retirada do tabaco do cotidiano das pessoas. Hoje existem inúmeras organizações que oferecem apoio terapêutico e multidisciplinar. Um dos recursos disponíveis é a reposição de nicotina, que possui uma taxa de sucesso de 15% a 30% e pode ser feita por vários métodos, seja spray, adesivos, goma de mascar ou inalação. "O importante é estar realmente consciente de que é preciso agir para parar de fumar e dos benefícios e ganhos a serem recebidos posteriormente. O apoio dos amigos e da família também é necessário e ajuda muito no processo, principalmente quando as pessoas começam a ter recaídas", conclui.
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