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Crônicas
11/08/2017 - 07h55
Pornô
Rangel Alves da Costa
 

Pornô. Um sexo qualquer ou um sexo diferente? Por que é geralmente visto como pecaminoso, escandaloso, impróprio, se tão normal nas intimidades humanas?

Pornô. Por que proibido para menores de dezoito anos se atualmente o sexo já aflora desavergonhadamente bem antes disso e que já não há inocência alguma depois dos quinze anos de idade?

Pornô. Em cada filme, em cada cena, um Kama Sutra de páginas abertas ou um manual libidinoso para pessoas reconhecerem suas próprias possibilidades sexuais? Ou apenas um livro já escrito na mente e somente visível através dos outros?

Pornô. Por que tanto mistério, tanta curiosidade, tanta proibição, se a grande maioria das pessoas se sente prazerosamente bem em assistir? Por que essa grande parte que assiduamente assiste é a mesma que sempre nega sua existência?

Pornô. Livros, revistas, filmes, tudo como um remédio de tarja preta, nunca acessível a todos. Livros com capas camufladas, revistas encobrindo cenas picantes, filmes com cartazes escondidos. Assim antigamente.

Pornô. Por que nomear revistas com temas sexuais ou cenas de sexo de revistas masculinas, femininas ou para púbicos exclusivos, segundo suas orientações sexuais? Por que proibir o que todo mundo lê, assiste, pratica?

Pornô. Não mais como antigamente, mas ainda existem cinemas dedicados exclusivamente a exibição de filmes pornográficos. Os cartazes já não escondem nada e nem as pessoas precisam entrar e sair como que camufladas dos cinemas.

Pornô. Ainda hoje, nos locais onde os cinemas exibem cartazes de filmes de sexo explícito, muitas pessoas se sentem verdadeiramente aviltadas com tamanha falta de vergonha, num verdadeiro atentado ao pudor. E até evitam passar pelas ruas dos cinemas.

Pornô. Os filmes pornográficos ou de sexo explícito continuam sendo, em muitos casos, verdadeiros fetiches para muitos. Não raro que prefiram assistir cenas de sexo a praticar o próprio sexo. Seus prazeres somente afloram com as cenas pornográficas.

Pornô. O termo pornô é tão apelativo que mesmo o que não é pornográfico assim se intitula para atrair pessoas. Exemplo disso são as pornochanchadas ou filmes eróticos. Na pornochanchada apenas insinuações, enquanto no erotismo apenas a conotação sexual.

Pornô. Há de se indagar qual o sentido sexual dos atores de sexo explícito. Enquanto personagens, apenas atuando para dar verossimilhança às cenas. Mas o sexo praticado pode ser sempre fingido ou os prazeres da carne também afloram entre uma cena e outra?

Pornô. Ora, nada do que é mostrado em filmes de sexo explícito diferencia-se da realidade entre casais. Muitos destes até se orientam pelas cenas nas suas relações amorosas. Então, por que se distinguirem duas realidades diferentes no mesmo sexo?

Pornô. Comumente se diz que ator e atriz pornô não sente prazer, apenas finge aquela emanação sexual toda. Também comumente se diz que até o mais breve gemido é ensaiado para que assim aconteça. Mas que máquinas de mero fingimento são tais personagens?

Pornô. Necessário observar que atores e atrizes de filmes pornográficos não deixam de serem homens e mulheres quando contracenam. Como um ator, por exemplo, se mantém em estado de ereção se apenas finge o sexo? Como uma atriz se entrega de tal forma sendo apenas máquina?

Pornô. Necessário ainda observar outro fator. A pornografia geralmente vem da prostituição. Esta geralmente vem da oferta de prazer em troca de dinheiro. Mas por que a prostituta pode aflorar seu desejo sexual e a atriz pornô não, como se aquela se transformasse em outra através de filme?

Pornô. Por que o denominado pornô de arte não é o mesmo pornô explícito? Quem assistiu O Império dos Sentidos conhece essa dimensão. Muitas vezes, a insinuação é mais apelativa que a mera demonstração carnal. Assim também com A Dama do Lotação e tantos outros filmes.

Pornô. Não se pode negar que muitos desejam fazer de cada relação sexual um filme pornô. Mas o que impede? O moralismo, o conservadorismo, o outro? Mas tudo é sexo. E só é explícito quando feito para os outros e não para dois.


Nota do Editor: Rangel Alves da Costa é poeta e cronista. Mantém o blog Ser tão / Sertão (blograngel-sertao.blogspot.com.br).

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