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Crônicas
06/12/2017 - 06h39
Reencontro de festeiros
José Ronaldo dos Santos
 
Arte Estevan 

Era madrugada (03:30 horas) quando me levantei. Meu filho ainda estava acordado, com um desenho bem adiantado para homenagear o saudoso Dito Fernandes. “Já tô nele há cinco horas. Tá ficando bom?”. “Tá lindo, filho!”.

O desenho retrata o mestre Dito Fernandes rodeado por aqueles santos festeiros como ele. Tá São Roque, tá São Gonçalo, tá São Benedito... tá a turma toda tantas vezes cantada, que continuará animando a coreografia da Congada de São Benedito do Sertão do Puruba [em Ubatuba, SP]. Olha o detalhe das nove rosas! “Agora vou dormir um pouco, pai. Acho que é o meu melhor desenho”. “Também acho, filho. Tá de parabéns! Daqui a pouco eu também sairei para o trabalho. Bom descanso”.

Além dessa turma toda, o Dito vai reencontrar o Pedro Brandão, o Horácio, o Orlando, o Dito da Laranja, o tio Maneco Armiro, o tio Durval, o Antônio do Puruba, o Maurício do Bonete, o Aristeu da Ponta Aguda, o Velho Macuco, o Otávio, o Santinho, o Romãozinho, o Zacarias Julião e tantos outros caiçaras que nos legaram essa musicalidade, esse lado festivo da nossa cultura.

Conforme me indicou um dia o finado Antônio do Puruba, atrás do seu bar era a serraria do espanhol. “Era bem ali, tá vendo? Trabalhava muita gente beneficiando caxeta; depois era transportada em carro de boi até a praia da Justa, de onde era embarcada para Santos. O Fileto era quem conduzia a carga puxada pelos bois. Era uma turma grande, com muitos camaradas que vinham de Cunha. Desse encontro entre caiçaras e caipiras, surgiu o interesse pela congada. Os mestres foram se formando. Alguns deles: Ditinho Alves, Francisco Paulo, Fortunato...

Desde a década de 1980, após a morte do mestre Fortunato, o comando foi do Dito Fernandes. E aí, com uma família extensa, a Congada de Bastões do Sertão do Puruba se enraizou de vez entre nós. Eu recomendo: YouTube – Congada de Bastões de Ubatuba – Revelando São Paulo.

Certamente que agora, com essa caiçarada toda se reencontrando com os santos festeiros, Mestre Dito Fernandes inicia o canto na sua viola:

Oi dá licença, minha guia, dá licença
Oi dá licença pra enfeitar a Companhia
Ponha nove rosa, ponha nove cravos, pra ficar bonito
Pra enfeitar São Benedito
”.

Dona Mocinha certamente vai continuar como contramestre da música. Dos seus filhos e netos, outros mestres irão despontar em memória do Dito Fernandes e de todos os caiçaras festeiros.

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