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Crônicas
11/02/2018 - 06h55
Exercício de se pensar
José Ronaldo dos Santos
 

Tião Félix, da comunidade do Sertão da Quina nos deixou. Muita força aos que ficam, pois a vida continua! Para alguns a morte é muito mais abrangente. “Quem não pensa já tá morto”, repetia o Velho Sabá, caiçara dos antigos da praia da Enseada. Eu concordo.

Dias atrás, voltaram uns adolescentes na mesma lengalenga de sempre: “Deus existe?”. Ao pensador pouco importa a preocupação de existe ou não existe. Os “fiéis” que resolvam suas dúvidas! O que importa é a ideia, o pensamento. Ele existe, basta! “Só não existe o que não pode ser pensado”, já escreveu o finado Murilo Mendes. É o conceito (aquilo que ocupa um espaço no nosso pensar, com mais significações em uns do que em outros, desconhecido para alguns etc.) que importa no ato de refletir. O pensamento é o cerne da Filosofia.

Tudo o que está no pensamento humano é fruto da cultura humana. Portanto, é criação humana. Agora, que tem muita gente explorando as “significações transcendentes” de determinados conceitos ninguém pode negar. (Eu conheço alguém que até a família perdeu porque colocou o dízimo à igreja acima de tudo. Você também deve ter exemplos.) Afinal, são milênios de aperfeiçoamento desses conceitos. As ideias de hoje têm trajetos históricos, interesses e desinteresses que todos deveriam estar sempre pesquisando. Por exemplo, muitos grupos primitivos não tinham uma divindade maior que não fosse feminina. A mulher, na sua capacidade de dar ao mundo um novo ser, de perpetuar a existência do coletivo, foi inspiradora dos remotos cultos da Deusa Mãe. Só bem depois, com a solidificação do machismo, ocorre a imposição das divindades masculinas. Entre os judeus aparece o conceito de Deus Pai. Não é por acaso que, em diversas tradições míticas, a mulher está com uma pesada carga: é protagonista nos males da Terra. Eva e Pandora são alguns dos exemplos.

Com o passar do tempo, na formação das primeiras civilizações, as lideranças (políticas e religiosas ao mesmo tempo) sentiram a necessidade de aperfeiçoar o sistema. Para melhor dominar e resistir enquanto povo, uma transição do politeísmo para o monoteísmo foi promovida. Persas e egípcios estão entre os que tentaram primeiro. Perceberam que um povo dividido em suas crenças é mais passível de fraquejar, de ser vencido! Então... será que esses povos elegeriam divindades fracas, que não fossem da guerra? Lógico que não! Um deus principal deve de ser um deus guerreiro, bravo mesmo! Considerando os primeiros textos bíblicos, ainda na escrita dos cananeus, língua da qual se originou o atual hebraico, os que se dizem acreditar piamente, com discursos de “papagaio de pirata” ou de fanatismo, deveriam atentar ao mandamento do Decálogo: “Não tomarás o nome de YHWH (Deus) em vão, pois YHWH não considerará impune aquele que tomar seu santo nome em vão”. Então, a questão-base (“Deus existe?”) da lengalenga nem deveria parecer. E coitado daquele que tivesse outros deuses! É evidente: depois da experiência da escravidão no Egito, os hebreus, também chamados de judeus ou israelitas, sabiam o quanto precisavam estar unidos a uma ideia forte, a uma única ideologia. Por isso, nada de ficar adorando bezerro de ouro. “Moisés ficou puto da vida ao descer do morro com as lascas de pedra cheias de escrita e ver aquele bonito boi faiscando de ouro”, nos ensinou um dia titia Maria da Barra, a nossa querida Tia Iaiá. E hoje, quais são esses bezerros de ouro?

Aos adolescentes do ponto de partida deste: O quê, devido à adoração de vocês, os tornam tão frágeis, dominados pelo sistema, se conformando com uma existência tão alienada, resultando numa espécie de escravidão do Egito atualizada? Pensemos... pensemos... pensemos... Mas como, se essa telinha (ou telona) não deixa? Mas como, se esses discursos assombram e ameaçam? Mas como, se este exercício de se pensar incomoda?

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