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SEÇÃO
Crônicas
14/03/2018 - 07h44
Desculpe o auê
Marina Alves
 

... eu não queria magoar você... Eu sei, eu sei que você deve estar me odiando, e talvez não perdoe o flagrante de corrupção que lhe dei na presença de outros, numa mesa de pizzaria. Desculpe, mas eu não resisti. Eu sou de falar pouco, pouquinho, você sabe, mas me ferveu alguma coisa por dentro, quando ouvi você combinando com alguém ao seu lado que poderia facilitar as coisas, lá na repartição. Juro, não suportei!

Não suportei, sabe por quê? Porque é com você que eu falo tanto sobre esses tempos terríveis que vivemos. Políticos corruptos, o País na lama, as bandalheiras por debaixo dos panos, as mordomias nos antros do Poder, o povo trabalhando duro pra sobreviver com salários miseráveis, sem condições mínimas de dignidade.

Quantas, quantas vezes nós falamos sobre isso, ultimamente? Perdi as contas. Só sei que você e eu somos cúmplices (pelo menos pensei que fôssemos) no pensamento contra os desmandos governamentais, comungamos ideias semelhantes sobre moral, respeito e ética. De repente, lhe ouvir numa conversa informal, promovendo corrupção me tirou do sério, me desculpe, não deu pra segurar.

Foi aí que, o que ferveu entrou em ebulição e saiu feito bolha incandescente “Que isso? Fazendo corrupção quando prega tanto contra ela?”. Eu sei que foram desconcertantes os olhares voltados pra você naquele momento, mas realmente não deu pra evitar. Afinal, eu me senti traída, percebendo o quanto de conversa inútil tivemos nestes últimos tempos.

Eu não sabia que você não sabia o que significa corrupção. Tanta coisa sobre isso, tantas reflexões com foco nesse tema. E espero sinceramente que nós, pessoas comuns do povo, não nos cansemos mesmo de debater sobre o assunto — e debatendo-o, o incorporemos cada vez mais. Pois, se nos cansarmos, corremos o risco de sepultar de vez todas as mazelas sociais que vivemos atualmente, principalmente a da crise política.

Então, não é hora de recaídas equivocadas. E urge que entendamos, de uma vez por todas, o ato de corromper — ou de concordar com ele — nas suas mais inúmeras e diversas versões, inclusive, nesta de facilitar coisas para quem quer que seja. E aí vejo e escuto você, defensor ferrenho da Ética, dizer que aquilo é fácil pra você e que não lhe custará nada dar uma mãozinha? Custará sim! Custará saber que quem espera na fila será burlado, que quem acredita que sua Instituição é séria não saberá que não é, porque ali trabalham pessoas que não concorrem para que seja.

Fico decepcionada, e não me tire a razão. Esperava isso do João, do José, da Maria, destes brasileiros todos que criticamos todos os dias, por se movimentarem tão impunemente numa sociedade em que prevalece a lei do mais esperto, do famigerado tráfico de influências, dos bens relacionados, dos que cultivam contatos em todas as esferas.

Sinceramente? Que desilusão! Meu receio agora é pensar que mesmo alguns que defendem a bandeira dos valores éticos e morais, possam ser um tantinho piores que corruptos declarados... Aí, convenhamos, não tem jeito, é realmente o fim.

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