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Opinião
16/04/2018 - 06h09
Uma luz no fim do túnel. Será?
Antonio Carlos Lopes
 

O Ministério da Educação anunciou dias atrás o congelamento de vagas de medicina no País. A partir de agora, pelos próximos cinco anos, será estancada a abertura irresponsável de faculdades médicas, que ocorria há quase três décadas sem quaisquer critérios.

Lamentavelmente a medida não revoga a criação de 37 cursos aprovados pela ex-presidente Dilma Rousseff, na esteira do Programa Mais Médicos. De qualquer maneira, se olharmos somente o aspecto positivo, é um alento para o Brasil e para nossos pacientes.

Todos sabemos que um lobby poderoso transformou o campo da medicina em filão atraente para um grupo de empresários mercantilistas. As mensalidades giram em torno de R$ 7 mil a R$ 13 mil. Assim, seguidos governos entraram no jogo, fazendo opção pela quantidade em vez da qualidade. Apenas nos últimos quatro anos, o número de vagas saltou de 19 mil para 31 mil.

No Brasil até nasceu a “profissão” de criador de projetos para abrir cursos médicos. Para ter uma ideia da consequência desta irresponsabilidade, hoje temos 307 escolas para 207 milhões de habitantes. A China, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, possui 150 faculdades de medicina, o suficiente para resolver bem os problemas da assistência em saúde.

Não haveria nada a temer, caso nossos cursos médicos colocassem na linha de frente de atendimento profissionais com capacitação de excelência. O problema é que, ano a ano, o nível da graduação piora, conforme atestam as seguidas edições do Exame do Cremesp para recém-graduados.

O mais recente, realizado em 2017, teve seus resultados divulgados em fevereiro de 2018. A despeito de a prova ser considerada de nível intermediário, 88 % não souberam interpretar o resultado de um exame de mamografia e erraram a conduta terapêutica de uma paciente.

Entre tantas estatísticas desalentadoras, registro mais duas que deixam bem claro que estamos formando profissionais que no máximo servem para cuidar de gripe. Mais da metade dos novos médicos avaliados, ou melhor, exatos 54% não conseguiram analisar o comportamento da frequência cardíaca e da pressão arterial durante a gravidez. Outros 50% não souberam respeitar a autonomia do paciente.

Faculdades sem condições e estrutura adequada à boa formação, como hospital-escola e corpo docente competente, são risco à saúde e à vida da população.

Portanto, também é necessário ressaltar que o decreto do MEC deixa perigosa lacuna. Falo sobre as dezenas, talvez até centenas, de cursos que atualmente funcionam à margem de fiscalização rigorosa e repleto de insuficiências.

É imprescindível que as faculdades de medicina passem por controle de qualidade. Aquelas que não atingirem o padrão, tem de ser fechadas, se não solucionarem suas falhas.

Médico é para tratar de gente, jamais se pode esquecer disto. Seriedade na graduação é o mínimo que podemos exigir das escolas. Já quanto aos nossos políticos, a eleição se aproxima.


Nota do Editor: Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

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