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Opinião
14/06/2018 - 07h27
Sim ao esporte e não ao assédio
Zair Candido de Oliveira Netto
 

Em janeiro, o ex-médico da seleção americana de ginástica feminina, Larry Nassar, foi condenado a cumprir pena de 40 a 175 anos de prisão por abusar sexualmente de atletas. Em abril, foi a vez do Brasil se chocar. O ex-técnico da seleção brasileira de ginástica artística, Fernando de Carvalho Lopes, foi acusado de praticar abusos sexuais em atletas. Um fato gravíssimo, que coloca a sociedade brasileira em alerta sobre esse assunto. A questão do assédio sexual por parte de alguns adultos criminosos pode acontecer em várias esferas da sociedade, especificamente no esporte, pelo contato direto da criança com o adulto na correção dos exercícios (situação na qual o contato é mais próximo) e, principalmente, nos esportes individuais, nos quais a iniciação acontece mais cedo que nos esportes coletivos - desta forma, a criança, sendo mais nova, é mais facilmente envolvida em situações de abuso sexual.

Como podemos ficar atentos a essa situação preocupante? Não podemos generalizar: há muito mais pessoas idôneas envolvidas no esporte que perversas. Para que tenhamos tranquilidade, se faz necessária a participação da família no processo de iniciação esportiva. E no esporte, em geral, é necessário observar o ambiente onde são praticadas as atividades esportivas, como a equipe técnica está envolvida, se há uma equipe ou apenas uma pessoa comandando as atividades com as crianças e, principalmente, os feedbacks dados por seus filhos após as atividades. Mesmo que a criança não tenha ideia de determinados gestos, todas as informações dadas por ela são importantes para a condução na iniciação esportiva. A participação da família é fundamental neste processo.

Certamente devem ter acontecido vários casos dessa natureza no esporte brasileiro, que não vieram à tona por diversos motivos - entre eles a coação dos atletas em função de benefícios financeiros ou na ascensão da carreira do atleta. Os treinadores detêm o poder de selecionar e indicar, em muitos dos casos, o direcionamento para obtenção de recursos financeiros. A influência para participações em seleções municipais, estaduais e nacionais também pode ser um fator de repressão dos atletas na divulgação de determinados atos criminosos.

A sociedade deve estar atenta e denunciar qualquer tipo de assédio, seja moral ou sexual. Não podemos permitir que uma minoria contamine o trabalho virtuoso do esporte, os vários projetos sociais que temos hoje no Brasil afora, os centros de treinamento qualificados e profissionais competentes envolvidos e lutando pelo esporte brasileiro. Os valores essenciais éticos do esporte, como determinação, respeito ao próximo, superação, socialização, persistência e tantos outros valores morais envolvidos no dia a dia de quem pratica esporte e estão presentes na formação de nossas crianças e adolescentes não podem ser afetados por pessoas que, certamente, devem ser denunciadas e pagar, na forma da Lei, por seus atos.


Nota do Editor: Zair Candido de Oliveira Netto, doutorando em Ciências da Saúde e coordenador do curso de Educação Física da Universidade Positivo (UP).

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