|
A interpretação dos fatos mais corriqueiros do cotidiano do cidadão nos leva a refletir sobre as origens, ligações e influências de todo um processo de retrocessos pelos quais vimos passando sem nos dar conta. Buscar as origens não é tarefa nada fácil uma vez que elas se ocultam por trás de atitudes, legislações e até mesmo do conformismo dos cidadãos. Uma coisa que constatamos muito claramente é que em quase todos os casos, os retrocessos estão intrinsecamente ligados ao empreguismo, à corrupção, enfim a tudo que de mais odioso existe na administração pública, hoje visível até mesmo em empresas do Estado ou sociedades de capital misto com a participação pública. Vou citar alguns exemplos por mim vividos apenas nos últimos trinta dias e que acredito mesmo ser parte do cotidiano de qualquer cidadão. Claro que os custos destes transtornos só podem mesmo ser avaliados se comparados com a estrutura de apoio da qual cada um pode dispor, isto é, afeta sempre mais as classes mais humildes que uma simples passagem de ônibus (ida e volta) pode comprometer seu orçamento mensal. Em quatro casos absolutamente diferentes, um bocado de incompetência, imperícia, negligencia, pouco caso com o dinheiro público e os direitos do cidadão, enfim receita completa do caos. A primeira e grotesca experiência tive foi com a SABESP, que ao solicitar uma simples ligação (12/03) de água para o consumo residencial em loteamento urbano totalmente regular e sem necessidade de nenhum serviços especial como prolongamento de redes, projetos etc., recebi a incrível notícia de que o prazo previsto para a execução seria de trinta dias. Muito decepcionado saí com meu protocolo e até hoje (29/04) não recebi nem mesmo um comunicado a propósito de minha solicitação. A segunda famigerada experiência foi com a ELEKTRO. Esta fantástica empresa de energia elétrica tem conseguido recordes em todos os tipos de ocorrências grotescas em Ubatuba. Até a privatização, a antiga CESP gerava e distribuía a energia para nossa cidade. Até então, interrupções eram meramente acidentais e de freqüência desprezível. Atualmente, num único mês temos mais interrupções sem nenhuma explicação que em dez nos anteriores somados. Contudo, isto nem vem ao caso. Ocorre que também solicitei ligação de luz para a mesma casa e pelo 0800 da ELEKTRO abri um pedido, recebendo depois de uns dez dias uma carta que me avisaria que deveriam ser executados serviços na rede para que pudessem atender meu pedido e que demandaria aproximadamente 45 dias. Muito bem, trinta dias depois uma empreiteira da ELEKTRO iniciou os serviços de troca de postes e implantação de um transformador que culminou com a destruição do poste de entrada de luz de minha residência que nada tinha a haver com o pedido, por acidente é claro, mas até a presente data não resolvido. Mas não parou por aí, ao se dirigir para a ligação uma nova empreiteira sem se comunicar comigo, deu o que se chama "reprova" alegando que era um terreno baldio e não havia ART no local (dois absurdos ao mesmo tempo) uma vez que o terreno era urbano e se destinava à construção de uma residência como citado no pedido e o ART (documento do CREA) se encontrava dentro da caixa padrão. Só fui informado disto porque liguei para o 0800 da ELEKTRO. A terceira experiência se deu com o posto do Banespa situado na Prefeitura Municipal. Ao tentar recolher uma taxa de expediente para instrução de um processo, no último dia 08/04, a funcionária do caixa me informou que não poderia aceitar meu cheque do Banco Itaú, agência Ubatuba, porque a taxa que eu estava pagando não estava em meu nome. Para minha surpresa esta mesma operação já tinha sido feita por mim ou meus funcionários algumas centenas de vezes nestes quase trinta anos de Ubatuba. Enfim, depois de alguns anos o banco mudou (apenas o funcionário do caixa). Como opção perguntei se seria possível pagar com cheques eletrônicos Visa Elektron ou Rede Shop Itaú e a funcionária prontamente me informou que só operava com UNIBANCO e BANCO REAL (para nós, cidadãos de Ubatuba, Bancos de outro planeta). Na verdade uma taxa de R$ 315,00 deixei de recolher naquele dia para conseguir faze-lo no dia seguinte no Banco Itaú afinal eu só estava com R$ 200,00 (em dinheiro) no bolso. Imaginem um cidadão de classe menos abastada, indo recolher uma pequena taxa e ter que perder até mesmo o dia de serviço! Minha leitura para este fato é a de que o Banespa perdeu todo respeito pelo povo da cidade, com a conivência da administração pública. Ao enviar terminais para Ubatuba, enviou o que há de mais arcaico, e sucateado em seu depósito na Capital, afinal nossa comunicação apenas saiu há pouco tempo da era dos tambores e fumaça. O quarto e mais grotesco fato foi com o judiciário. Estando no pátio da Prefeitura Municipal de Ubatuba, fui abordado por um oficial da justiça que com certo constrangimento me informou que precisava me citar num processo. Ao ler a citação nem mesmo fiquei bravo, pois o que li foi uma barbaridade tão grande ou muito maior que as anteriores. A FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO estava me executando por um débito de R$ 5,15 e me dava um prazo de cinco dias para apresentar bens à penhora. Pasmem os senhores, mas o valor de base para a ação era de R$ 4,23 e que somados aos juros e correção monetária perfaziam R$ 5,15. Não resisti e fui ao Fórum, para folhear o processo e tentar entender o que estava havendo. Incrível mesmo. Por uma multa recolhida à menor em 1999 (provavelmente por engano de minhas contadoras), fui executado sem sequer receber uma informação da existência débito. A multa se referia à punição que uma Sra. Juíza me havia imputado por faltar a uma (apenas uma) sessão do Tribunal do Júri. Afinal foram apenas nove sessões naquele mês, seis das quais foram suspensas sem que eu fosse avisado e aos quais compareci sob fortes chuvas e eu um simples mortal fui feito de idiota por uma criatura insensível e desinformada, afinal quem seria ela para conhecer e compreender a comunidade com a qual trabalhava e de suas obrigações e compromissos, estava por aqui apenas de passagem como maioria dos membros do judiciário local. Pois é este ridículo processo de execução fiscal que teve intervenção de um procurador do Estado, dois ou três juizes e um oficial da justiça e deve ter custado aos cofres públicos pelos menos uns R$ 3000,00 gerou a receita de ridículos R$ 5,15. Por que não? Afinal não há nada a fazer neste país. Apenas tentar justificar o "custo Brasil". O que é custo Brasil? A soma de incompetência + negligência + morosidade + corrupção + etc. Está bom assim para vocês ou querem mais?
|