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Opinião
22/09/2018 - 09h39
Qual o nosso patrimônio?
Fernando Caparica
 

Nossas prioridades são definidas de maneira responsiva, de acordo com a tragédia do dia. Assim como nos “Stories” do Instagram, elas logo saem de cena e da pauta do dia, sendo substituídas por algo mais recente - não necessariamente mais importante. O massacre do Carandiru, em 1992, gerou um clamor geral sobre a insustentabilidade de nosso sistema carcerário. Vinte e cinco anos depois, já havíamos até esquecido quando novos massacres pipocaram em nossos presídios no ano passado, com ainda mais mortos. A chacina da Candelária, em 1993, gerou um clamor geral sobre nossas crianças em situação de vulnerabilidade. Novamente, após vinte e cinco anos, estudo realizado pelas Organizações não Governamentais Observatório das Favelas e Open Society Foundations, mostrou que a participação de crianças no tráfico do RJ dobrou nos últimos cinco anos.

Faço essa breve preleção, apenas para contextualizar e justificar o meu ceticismo com todo a celeuma suscitada pelo incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro com relação ao nosso patrimônio histórico e cultural. Passado o clamor inicial, outros temas tomarão o palco e a nossa história voltará a ser desinteressante para a maioria de nossa população.

O cuidado por nosso patrimônio tem de se iniciar no berço, nas escolas de educação infantil, na conscientização de nossas crianças sobre a importância de nossa história, de nossa cultura, de todas as nossas crenças e valores. As crianças são o nosso amanhã, as sementes que germinarão e cujos frutos alimentarão nosso planeta. Assim como a diversidade de espécies é indispensável para a sobrevivência das plantas, a diversidade cultural é indispensável para a preservação de nossa herança.

Tragédias históricas como o Nazismo, o Estado Islâmico (ISIS), o Ku Klux Klan, as Cruzadas, o Nakba, dentre outras que já foram ou ainda estão acontecendo, decorrem da necessidade estúpida e inócua de um ser humano em impor suas crenças e valores ao seu próximo. Não adianta querermos preservar nossos prédios se não preservarmos nossa gente. Prédios são importantes, animais e plantas são importantes, mas quem pensa e age somos nós, seres humanos.

Essa é a razão pela qual a Mostra Sustentável, além de preservar prédios históricos como o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, referência nacional em saúde mental, se coloca como uma ferramenta de transformação social em benefício de uma instituição de benemerência. É também a razão pelo qual, além de fazermos a compensação ambiental das emissões de gases de efeito estufa, também inserimos um projeto pedagógico com visitas escolares para alunos do ensino fundamental. E também por isso oferecemos visitas inclusivas para pessoas com deficiência e expandimos as SustenTalks para além da arquitetura e design.

No final das contas, nosso patrimônio é o presente que cuidamos e o futuro que plantamos.


Nota do Editor: Fernando O. Caparica Santos é empresário e empreendedor, engenheiro eletricista, pós-graduado em administração de empresas e construções sustentáveis, sócio proprietário da Ecotopia Soluções Sustentáveis, empresa organizadora da Mostra+Sustentável e das SustenTalks.

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