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Opinião
11/10/2018 - 06h56
Os opostos necessários para nossa evolução
Alessandra Cerri
 

Milton Nascimento, na belíssima canção “Certas Coisas”, cita: “Não haveria som se não houvesse o silêncio; não haveria luz se não fosse a escuridão; a vida é mesmo assim dia e noite, não e sim”. E assim segue citando os opostos.

Uma lei muito conhecida da física e também citada para relacionamentos diz que “os opostos se atraem”. Mais que atração, os opostos se completam e só através de nossos opostos podemos chegar ao entendimento da nossa “totalidade”. Exatamente isso! Só por meio da compreensão das nossas “sombras” é que podemos nos entender e evoluir.

Segundo Stein, estudioso das teorias de Jung, “a sombra é a imagem de nós próprios que desliza em nossa esteira quando caminhamos em direção à luz”. Aquilo que mais te incomoda no outro, que te parece mais irritante no outro, na verdade, pode ser um lado seu, uma característica sua que você por algum motivo tenta esconder por não gostar ou não aceitar.

Acho importante citar essas questões dos opostos, especialmente nessa época de ânimos tão aflorados e alterados em função das eleições. Pessoas estão constantemente brigando, se ofendendo por não pensarem da mesma forma. É importante considerarmos a opinião do outro. Mais que isso, é importante analisarmos os dois lados da questão, pois, é claro, tendemos a considerar a nossa opinião, o nosso ponto de vista como certo e melhor. No entanto, aceitarmos e refletirmos sobre a opinião do outro; dominar nossos instintos mais primitivos de raiva frente ao nosso oposto, frente à nossa sombra, nos permite uma maior conscientização e, consequentemente, nos ajuda em nosso processo evolutivo.

Conviver com os que pensam como nós é fácil. No entanto, conviver em harmonia e equilíbrio com os que pensam contrariamente a nós é exatamente o que precisamos para nosso enriquecimento espiritual e evolução nas lições que a vida nos oferece.

Nessa época de tantos pensamentos controversos e diferentes, exponha sim suas ideias e preferências, mas sempre com cautela e respeito. Quando contrariado, controle seus impulsos e racionalize suas reações (responda e não reaja), experimente refletir sobre os pensamentos diferentes do seu e somente depois de uma reflexão embasada defina suas atitudes conscientes e equilibradas.

Segundo o psiquiatra Sigmund Freud, “a renúncia progressiva dos instintos parece ser um dos fundamentos para o desenvolvimento da civilização humana”. Que saibamos controlar nossos instintos, que os nossos opostos sejam as nossas luzes no caminho, às vezes escuro, chamado vida. E que o entendimento entre os opostos nesse cenário atual de política e violência possa nos ajudar a encontrar a paz.

Até a próxima, Namastê!


Nota do Editor: Alessandra Cerri é professora, especialista em educação para a terceira idade e sócia-diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba (Clap).

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