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Opinião
15/04/2019 - 07h24
Cem dias de governo, pura propaganda
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

O “governo dos 100 dias” é originário do França. Em 1815, Napoleão voltou ao poder, mas não resistiu ao período, sendo expulso e exilado na Ilha Santa Helena onde morreria seis anos depois. Nos Estados Unidos, a comemoração dos 100 dias de governo vem desde 1933, quando o presidente Franklin Roosevelt se gabava de, depois da grande depressão, ter conseguido nesse período a aprovação de 15 projetos importantes para o país. A data, no entanto, é usada como simples marketing de informação. No Brasil não é diferente, e os 100 dias de Bolsonaro servem apenas para ele e seu ministério anunciarem medidas, enquanto seus adversários as contestam. Nada mais.

Os anúncios feitos pelo presidente na passagem dos 100 dias do governo devem provocar mudanças. A autonomia do Banco Central, o ensino domiciliar, o 13º salário ao Bolsa Família e o “revogaço” de decretos obsoletos são medidas importantes. Aplicados, conferirão ao país a face do novo governo. Mas pouco ou nada tem com cem dias, escolhidos apenas como data simbólica ou marqueteira. A população aguarda as mudanças concretas de todas as ações de governo e, mais que isso, que elas possam representar a melhora de vida de cada cidadão. No Bolsa Família, por exemplo, mais importante do que pagar o 13º, será o dia em que o beneficiário puder sair do programa porque ganhou autonomia laboral e financeira.

Não no centésimo, mas em todos os seus dias, o governo tem a importante tarefa de restaurar a máquina pública, resgatá-la do jugo dos políticos e cabos eleitorais e colocá-la a serviço da população. É seu dever demitir os apaniguados que incham a repartições, e prestigiar o funcionalismo de carreira, exigindo sua contrapartida de trabalho. Tornar a economia nacional confiável aos investidores para que estes, com seu capital, façam nossa economia girar e voltarem os empregos.

As bases dos novos procedimentos governamentais estão lançadas. Começaram pelo salutar não loteamento do governo. Deputados e senadores, no atual quadro não serão mais “sócios” do Executivo e terão a oportunidade de exercer sua atividade fiscalizadora em nome do povo que os elegeu. O governo assume o compromisso de equilibrar as finanças e aplicar o resultado da arrecadação em serviços à população, até agora negligenciados.

Os cem dias, como nos é dado a observar, nada mais é do que obra de propaganda que, executada pelo governo é a seu favor e, movida pela oposição, é contrária. Todo esse alarido, em nada vai mudar a vida da população. Serve apenas para esquentar o debate que se torna cada dia mais estéril e não empolga a ninguém. O povo está cansado das escaramuças entre quem governa e seus opositores. Seria muito bom todos darem um tempo e cada um trabalhar no seu quadrado. Turbulência só serve para atrasar a vida nacional...


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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