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COLUNISTA
Marcelo Sguassábia
03/06/2019 - 07h38
Deu pau na impressão!
 
 

Embora ainda em fase de pesquisas, a próxima novidade tecnológica da impressão 3D promete revolucionar o que entendemos como vida e seu até agora inexorável processo de nascimento, desenvolvimento e decadência: uma impressora que, a partir da amostra de DNA, reconstituirá entes queridos e animais de estimação já falecidos.

Se concretizada a novidade, prevê-se que cada vivente traga de volta pelo menos quatro defuntos mais chegados e dois ou três gatos e/ou cachorros. Como consequência, cemitérios serão extintos e em seu lugar poderão ser erguidos milhares de empreendimentos imobiliários.

Já conhecedoras das novidades no horizonte, marcas de renome da construção civil realizam testes com impressoras de enormes proporções, capazes de erguer um prédio comercial moderno e sustentável em apenas dois dias e meio. O maior empecilho até o momento é que, para imprimir um prédio de 20 andares, por exemplo, a impressora precisa ser dez vezes maior que a obra a ser impressa - o que significa a necessidade de desapropriação de bairros inteiros para acomodar a geringonça, inviabilizando o empreendimento. E mais: ainda que houvesse área suficiente para estacionar a impressora junto ao canteiro de obras, como fazer para transportar esse colosso até lá?

Ciente da limitação, o governo norte-americano acionou a NASA para que avalie a possibilidade de estabelecer, em Júpiter, um polo avançado de fabricação de impressoras 3D de grande porte e livres da ação da gravidade, de tal maneira que possam flutuar acima da obra, da fábrica de automóveis ou seja lá o que for que estejam construindo ou produzindo.

Ainda no que diz respeito aos setores da construção e da produção industrial, chefes de estado e analistas econômicos profetizam um paradoxo de difícil solução. O processo de ressuscitação de mortos acarretará um impressionante aumento demográfico, e o uso extensivo das impressoras como substituta do ser humano trará um surto de desemprego como jamais visto. Em decorrência, morrerão de fome tanto os desempregados quanto os mortos ressuscitados - que baterão a caçuleta pela segunda vez. E os cemitérios, recém-desativados, terão de ser reinaugurados ou implantados em outros lugares, uma vez que a área onde se encontravam já estará ocupada pelos empreendimentos. Como se vê, um problema maior que as gigantescas impressoras que a NASA estará produzindo em Júpiter.


Nota do Editor: Marcelo Pirajá Sguassábia é redator publicitário em Campinas (SP), beatlemaníaco empedernido e adora livros e filmes que tratem sobre viagens no tempo. É colaborador do jornal O Municipio, de São João da Boa Vista, e tem coluna em diversas revistas eletrônicas.
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