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Opinião
09/10/2019 - 06h52
O alerta do tio do Peter Parker
Montserrat Martins
 

A grandes poderes correspondem grandes responsabilidades”, aprendemos com o tio do Peter Parker, o Homem Aranha. O poderoso Getúlio Vargas teria desabafado, num momento íntimo, sua mágoa porque as pessoas que lhe procuravam “nunca vieram pedir nada pelo Brasil”, só para si mesmas. O que distingue uma atitude de grandeza, em relação à pequeneza humana, é a capacidade de “transcender” a si próprio, a fazer algo pelo bem de outros além de si próprio ou da própria família.

O tiro que o Janot queria dar no Gilmar Mendes, segundo confessou, seria por insinuações que o Gilmar fizera contra a lisura profissional da filha do Janot. Enquanto o país inteiro sofre com o mau uso do poder do Gilmar Mendes - cuja atuação no STF é mandar soltar os corruptos do colarinho branco - o então Procurador Geral da República, Janot, teve como preocupação principal a própria filha, não o país.

A “confissão” foi pra vender livro, porque Janot está lançando sua biografia e precisava uma “revelação bombástica” para chamar a atenção, nada mais chamativo que contar que planejou matar Gilmar Mendes e se suicidar depois, como ele declarou à imprensa. Nas redes sociais, a confissão foi um “tiro no pé”, pois o comentário mais amistoso foi que “eu só compraria o livro se ele tivesse dado o tiro”.

Gilmar Mendes é hoje o único símbolo da união nacional, detestado pela quase unanimidade dos brasileiros, como um símbolo da impunidade e do mau uso do poder, um “liberador geral” de corruptos. Nas redes sociais, em meio a uma guerra de ofensas entre direita e esquerda, o único personagem detestado por todos é o Gilmar. Se eu estiver sendo injusto, por favor me avisem, pois não lembro sinceramente de ninguém que tenha vindo a público defender Gilmar Mendes.

Procurador Geral da República é um cargo da mais alta relevância, no qual alguém pode fazer muito por seu país. Janot chegou a pedir a suspeição de Gilmar Mendes no caso Eike Batista, porque a esposa de Gilmar advogava num escritório que prestava serviços jurídicos a Eike. Na esfera jurídica, onde exercia suas funções, Janot poderia ter feito muito pelo país se agisse em prol da sociedade, em tantos casos em que Gilmar provocou indignação na sociedade.

Nas redes sociais, em tom de chacota, as pessoas lamentam o tiro não dado. A verdadeira questão não é essa, mas a falta de gestos de grandeza, pois o poderoso chefe da PGR - Procuradoria Geral da República - deveria ter sido zeloso e competente contra os abusos do Ministro do STF.

Janot pensou pequeno, não na lei e no país, mas na arma e na filha. Não aprendeu com o tio do Peter Parker.


Nota do Editor: Montserrat Martins, colunista do EcoDebate, é psiquiatra, autor de “Em busca da alma do Brasil”. Fonte: Portal EcoDebate (www.ecodebate.com.br)

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