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SEÇÃO
Medicina e Saúde
29/05/2004 - 16h24
Os custos da tecnologia no setor de saúde
Marcelo Secaf
 

Há quem defenda que a gestão dos custos no setor de saúde deva ser focada no controle do uso de tecnologia. Práticas desencorajantes, como a limitação do diagnóstico por imagem ou a imposição de um intrincado sistema de reembolso por parte dos planos de assistência médica privada, impactam a qualidade do tratamento do paciente.

Fatos comprovam que valorizar a tecnologia médica e o grau de preparação do especialista, é fundamental para se garantir melhor qualidade de vida e maior sobrevida dos pacientes. Este é, paradoxalmente, o melhor meio de sanar as doenças do próprio sistema de saúde. Dificultar o acesso do paciente aos exames que envolvem tecnologia de ponta é impor graves barreiras ao aumento de expectativa de vida - "com qualidade de vida".

Os avanços tecnológicos na área de saúde podem, quando bem gerenciados, representar economia de custo, aumento de qualidade e produtividade, como também maior capacidade de detectar precocemente as doenças. Prestadores de serviços de saúde, pacientes e fontes pagadoras estão começando a perceber, ainda que com uma certa resistência, o verdadeiro potencial da tecnologia bem empregada.

Empregadores já constatam o quanto os investimentos em diagnósticos eficientes podem reduzir o número de faltas e afastamento do trabalho, além de aumentar a produtividade dos pacientes. Médicos e hospitais ainda podem conferir como a alta tecnologia empregada diminui a duração dos tratamentos, encurta os períodos de recuperação e reduz o tempo de internação hospitalar, diminuindo os investimentos em saúde a longo prazo e com melhores resultados.

O diagnóstico precoce de doenças como câncer, por exemplo, quando amparado por equipamentos de ponta e médicos treinados para realizar os laudos, é um dos maiores trunfos do setor de saúde no quesito economia de custo. Tanto os exames laboratoriais como os de diagnóstico por imagem, quando realizados por um serviço mais confiável, podem representar uma economia de milhões de reais.

É nessa linha de raciocínio que se pode definitivamente valorizar os modernos métodos de diagnósticos por imagem e os médicos especializados na sua interpretação. Apesar dos altos investimentos, tanto do ponto de vista de aquisição de equipamentos, como na preparação dos profissionais em saúde que estão diretamente envolvidos com os resultados, os ganhos socioeconômicos do sistema de saúde - provenientes da melhor capacidade de detectar e tratar doenças em menor espaço de tempo e exigindo menos idas e vindas ao médico e repetição de inúmeros exames inadequados - são prova cabal de que apostar em alta tecnologia e na valorização do especialista em interpretar os exames, é o caminho mais viável, econômico e seguro.


Nota do Editor: Marcelo Secaf é médico radiologista e diretor da URP Diagnósticos Médicos - que está comemorando 50 anos de "vida" em 2004.

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