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Mudanças de temperatura ocasionam ’doenças de inverno’ na pele.
Não há nada tão aconchegante no inverno quanto tomar um banho quente demorado e vestir uma grossa blusa de lã. Apesar de confortáveis, estas pequenas mudanças de hábito podem ressecar a pele e aumentar sua vulnerabilidade nesta época do ano. "Isso acontece porque os banhos quentes, aliados ao contato com os tecidos sintéticos ou a lã, removem a camada de proteção natural da pele, que tem seu pH modificado", explica a Dra. Luciane Scattone, dermatologista clínica e cirúrgica. Segundo a dermatologista, atualmente os cuidados necessários com a pele passaram de simples vaidade à necessidade de prevenção das ’doenças de inverno’. Entre elas, estão as dermatites de contato e alérgicas, eritema pérnio (ligado à má circulação sangüínea), eczemas de diferentes graus, urticária ao frio e psoríase (placas avermelhas com escamas grossas e brancas) aparecem. Além disso, o clima úmido estimula a coceira - o que pode levar a piora da doença. "A procura por tratamentos corporais neste período aumenta em 50%", comenta a Dra. Luciane. Além do clima, fatores como tipo de pele, circulação sanguínea, estado geral e nutritivo do paciente, consumo de álcool, cigarro, sedentarismo e presença de fungos podem contribuir para a incidência de afecções cutâneas relacionadas ao frio. Com a baixa temperatura, as pessoas mais susceptíveis à ação do frio, principalmente as com bronquite e renite, tendem a ficar com a pele mais seca do que o normal. O aumento dessa condição acaba ocasionando o engrossamento em algumas áreas, chegando a eczemas. Parte responsável pelo surgimento ou agravamento das ’doenças de inverno’ é o uso contínuo de roupas pesadas e a diminuição da exposição do sol. Eczemas, vitiligo, dermatites e psoríase são patologias que ilustram o problema. Para diminuir estas ocorrências, a Dra. Luciane dá algumas dicas: · Tomar banhos mornos e rápidos. · Hidratar a pele após o banho com cremes específicos e óleos. · Usar roupas de algodão e não tão justas (com uma boa ventilação). · Lavar as roupas com sabão neutro. · Não usar esponjas e evitar talcos e perfumes. Doenças de Inverno Dermatite de contato e alérgica: Ocorre em função do contato com substâncias alérgicas. Pode ocorrer em qualquer parte do corpo. As pessoas atópicas são mais predispostas a esse quadro. Manifesta-se com coceira e descamação do local. Eritema pérnio: Ocorre em função de uma vasoconstricção (diminuição do calibre do vaso sangüíneo) dos capilares das extremidades (mãos e pés) seguida de vasodilatação (aumento do calibre do vaso). As pontas dos dedos incham, ficam doloridas e meio arroxeadas. Está ligado a má circulação sangüínea e atinge as áreas que ficam mais expostas ao frio, como o rosto e as mãos. Causa edema, vermelhidão e coceira. Xerodermia: Ressecamento exagerado da pele pelo frio, pelos banhos quentes e pela diminuição da atividade das glândulas sebáceas. Psoríase: Aparição de placas avermelhadas com escamas grossas e brancas, principalmente nos joelhos, cotovelos e couro cabeludo. Urticária: Apresenta placas edematosas, que provocam inchaço na pele. Acontece com maior incidência nas áreas que ficam expostas, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, causando coceira e ardência. Eczema: Quadro específico caracterizado por descamação, coceira da pele. Nota do Editor: Dra. Luciane Scattone, dermatologista clínica e cirúrgica (remoção de pelos, tatuagens, vasos, manchas, rugas etc.). É Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e Membro da American Academy of Dermatology e da da International Society for Dermatologic. Autora do primeiro trabalho mundial sobre peeling de ácido retinóico (2001) - Revista Dermatologic Surgery.
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