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Medicina e Saúde
24/05/2004 - 12h36
Anemia afeta 60% das crianças brasileiras
 
 
Nutrólogo critica refeições "fast food" e diz que suplementos nutricionais podem auxiliar na prevenção.

Alguns alimentos são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Entre eles, o leite e seus derivados, ricos em cálcio, fundamental na formação dos ossos e dentes, e a carne vermelha, fonte de vitamina B12, que previne a anemia, um sintoma tido por muitos como doença e que está preocupando médicos e autoridades ligadas à saúde.

"Cerca de 60% das crianças brasileiras apresentam anemia por deficiência de ferro. É um número preocupante e assustador, porque esta deficiência prejudica o desenvolvimento do cérebro de milhares de crianças, baixando os coeficientes de inteligência", afirma o médico-nutrólogo e diretor-presidente da Integralmédica, Dr. Euclésio Bragança.

Ele ressalta também que nesse percentual estão incluídas as crianças de classes sociais mais elevadas, com melhores condições financeiras e, conseqüentemente, com acesso a uma melhor alimentação, e não somente as das classes D e E. "A falta de tempo para as refeições e a opção pelos fast foods têm contribuído para as crianças adoecerem", adverte.

Bragança aconselha uma alimentação rica em frutas, legumes, carboidratos, proteínas e boas gorduras (em especial os ômegas 3 e 6), essencial para o bom desenvolvimento, tanto intelectual quanto físico das crianças. As frutas ricas em vitamina C (acerola, laranja, limão, abacaxi etc.) auxiliam o organismo na absorção de ferro, presente em outros alimentos.

O médico faz algumas sugestões que podem ajudar a baixar o índice de incidência da anemia nas crianças:

- Adição de vitaminas e minerais nos alimentos industrializados consumidos pela população infantil, a um baixo custo, para que possam ser adquiridos pelas pessoas de baixa renda;

- Controle de doenças como malária e de sintomas como a diarréia, que fazem o corpo perder vitaminas e minerais;

- Fornecimento de suplementos nutricionais para determinados grupos da população, como gestantes e mulheres em fase de amamentação, crianças desnutridas e pessoas de baixa renda que apresentam quadro anêmico. O custo é mínimo, pois existem suplementos nutricionais como cápsulas de fígado dissecado, fontes de proteínas, vitaminas do complexo B e de ferro.

"Com a adoção dessas medidas, certamente haveria a redução do número de anêmicos na população infantil brasileira, nas gestantes e nutrizes, uma vez que mulheres no período de gestação e lactação e crianças de até dois anos de idade precisam de doses extras de ferro", conclui o especialista.

A anemia é definida como uma diminuição de hemoglobina no sangue circulante, com ou sem diminuição dos glóbulos vermelhos. Não é considerada uma doença, mas sim um sintoma de uma variedade de situações, incluindo uma grande perda de sangue ou a destruição excessiva e/ou a diminuição da formação de células sanguíneas, entre outras. (Krause, 2002)

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