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SEÇÃO
Crônicas
25/10/2021 - 06h07
Os finados sem fim
Damião Ramos Cavalcanti
 

Nesse próximo dia 2 de novembro, Dia de Finados, quisera que a nossa cultura se dedicasse aos que se foram assim como o México comemora essas afetuosas lembranças, durante uma semana. Por lá, as recordações se revestem de tom festivo, com comidas, músicas, fantasias e souvenirs que demonstram culto aos mortos, como se fosse uma forma de trazer de volta nossos queridos e queridas, também amigos e amigas, cujas amizades não devem findar com as suas mortes. Já no Oriente, onde a cultura se vivencia de modo mais intenso do que no Ocidente, essas reverências acontecem com uma frequência quase de caráter religioso, lembrando que, na Antiga Roma, os mortos devinham divindades familiares.

Há uma íntima correlação entre vivos e mortos ou, deve haver, entre mortos e vivos. Pois, é, entre o nascer e o morrer, quando existimos, nascendo, alimentando-nos, digerindo, crescendo, sentindo, movimentando-nos, enfim, tendo essas características que não tem a pedra. E ao nascer, inicia-se um caminho à morte. Se alguém lamenta sofrer ou sentir dor, isso se demonstra tão melhor como aquilo que não tem vida, como o cristal. No entanto, os mortos, ao não terem tais propriedades dos viventes, já as tiveram, experimentaram a infelicidade da dor e também a felicidade da sua ausência, digo, da ausência da dor. Repito que Epicuro consagrava ser a imperturbabilidade (ataraxia) um estágio em que se superam as perturbações. Há quem se desespere e queira pôr fim ao mundo da sensibilidade, não sentir angústias, que são superáveis, durante a própria vida. Somente aos vivos a morte fala, e discursa que ninguém é insubstituível...

Há um grande fosso de interrogações, onde jaz a pergunta sem resposta: Se vamos morrer, por que nascer? Inverter-se-ia: Nascemos para quê? A resposta adequada a essa última pergunta é aquela que dá sentido à vida. E esse sentido foi vivenciado por muitos que já morreram e merecem ser lembrados como exemplo, como se fossem os finados sem fim. Lembrados sejam os que amaram; não esquecidos, os que odiaram... Valorizar os mortos significa dignificar os vivos. E essa dignificação se observa nos túmulos, nos cemitérios bem ou maltratados. Esses sagrados recintos, que podem ser visitados todos os dias do ano, terão o dia especial de 2 de novembro. Data que não seria para os mortos, pois os finados não têm mais dia nem hora... O encontro com essa realidade cabe a quem possui calendário e relógio, e capacidade de caminhar para aquilo que for bom. Todos os mortos são bons, quisera os vivos fossem tão bons quanto eles. Não precisamos ser totalmente bons, basta em alguns pedaços das circunstâncias em que temos vida, isso já seria suficiente. Depois da morte, sempre seremos o que fomos, sem alguma possibilidade de mudar. Como diz Sartre, trancados num quarto escuro, sem porta e sem janela, com a maior ou nenhuma liberdade...

Destaque: Somente aos vivos a morte fala, e discursa que ninguém é insubstituível...

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